quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Curso: Etnologia Sul-Americana

2014.2

Pós-Graduação
Etnologia Sul-Americana (HZ465-A)

Docentes: José Maurício Arruti e Sofia Venturoli

Ementa: Este comparativo da etnografia das sociedades sul-americanas. Teoria e método. Revisão dos debates clássicos e recentes.
Programa:
04/09 - aula de abertura
Apresentação das temáticas principais, estrutura (aulas serão compostas de parte expositiva dos docentes, seminários dos discentes e discussões coletivas) e desenvolvimento do curso. Pequena introdução sobre historia da antropologia no Perú. Criação da lista para entrega da bibliografia. Definição do calendário de quem faz as apresentações por cada aula.

Módulo 1 – Uma visão introdutória

11/09 - Peru: da colônia ao indigenismo
18/09 - Peru: do indigenismo a antropologia
25/09 - Nordeste: De tapuias a caboclos e de caboclos a indígenas.
02/10 - leituras cruzadas.

Módulo 2 – Perú

09/10 - Comunidades andinas: principais categorias, reciprocidade, dualismo (gênero), paisagem sagrada.
16/10 - “Incas si Indios No”: o índio no Peru
23/10 - “Guerra en los Andes”: Sendero Luminoso e a antropologia no Peru

Módulo 3 – Nordeste

30/10 - O Toré: área cultural, sistema ritual, reflexividade cultural
06/11 - semana das jornadas de antropologia da Unicamp
13/11 - “Légua em Quadro”: memória e território em dois momentos das etnogêneses no Nordeste
20/11 - Etnopolítica no nordeste: da tutela às articulações regionais

Módulo 4 – Seminários

27/11 – Seminário de alunos – apresentação dos relatórios das leituras e da proposta de trabalho*
04/12- Seminário de Sofia Venturoli: O Projeto Antonio Raimondi en la Sierra de Ancash e a Escola Etnográfica
11/12- Seminário de alunos - apresentação de leitura monográfica
18/12- Seminário de alunos - apresentação de leitura monográfica

Bibliografia:

PERU: DA COLÔNIA AO INDIGENISMO
PERU: DO INDIGENISMO A ANTROPOLOGIA
NORDESTE: DE TAPUIAS A CABOCLOS E DE CABOCLOS A INDÍGENAS
  • DANTAS, Beatriz G., Sampaio, José A., Carvalho, Maria R. G. de. 1992. Os povos indígenas no Nordeste brasileiro: um esboço histórico. In: História dos Índios no Brasil / Org. de Manuela Carneiro da Cunha. São Paulo: Companhia das Letras, pp. 431-456. 
  • OLIVEIRA, João Pacheco de. 1998. Uma etnologia dos "índios misturados"? Situação colonial, territorialização e fluxos culturais. Mana [online], vol.4, n.1, pp. 47-77. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93131998000100003 
  • MONTEIRO. John M. 2001. As ‘castas de gentio’ na América portuguesa quinhentista: unidade, diversidade e a invenção dos índios no Brasil (cap. 1). In: Tupis, tapuias e historiadores: estudos de história indígena e do indigenismo. Tese de livre docência apresentada ao Departamento de Antropologia da UNICAMP. Disponível em: http://www.ifch.unicamp.br/ihb/estudos/TupiTapuia.pdf

PERU: COMUNIDADES ANDINAS: PRINCIPAIS CATEGORIAS, RECIPROCIDADE, DUALISMO (GÊNERO), PAISAGEM SAGRADO...
  • ALLEN, Chaterine. 1981. To Be Quéchua: The symbolisim of Coca Chewing in Higland Peru, American Ethnologist, V. 8, N. 1. 
  • DE LA CADENA, M. 1996. Women are more indian': Ethnicity and Gender in a Community near Cuzco. Ethnicity Markets and Migration in the Andes. (Las mujeres son más índias) 
  • ISBELL, Billie Jean. 1978. To defend ourselves: ecology and ritual in an Andean Village 1980, c1978 (biblio unicamp: 301.2985 Is1t). Cap. 6, pp. 137-166. 
  • PLATT, Tristan. 1986. Mirrors and maize: the concept of yanantin among the Macha of Bolivia, in Murra John V., Nathan Wachtel, (editors), and Jacques Revel Anthropological History of Andean Polities, Cambridge University Press pp. 228-259 
  • MAYER Enrique e ALBERTI, Giorgio (orgs.). 1974. Reciprocidad e intercambio en los Andes peruanos, Instituto de Estudios Peruanos, Lima. Cap. 1 pp. 13-33. 
PERU: “INCAS SI INDIOS NO”: O ÍNDIO NO PERU
  • DEGREGORI, Iván C. and SANDOVAL, Pablo. 2008. Peru: From Otherness to a Shared Diversity, In: A Companion to Latin American Anthropology, Edited by Deborah Poole, 2008 Blackwell Publishing Ltd. 
  • Fuenzalida Fernando et al., 1970, El indio y el poder en ele Perù, IEP, –Perù Problema 4 Instituto de Estudios Peruanos, Lima. 
  • MÉNDEZ, Cecilia. 2000. Incas si Indios no, Apuntes para el estudio del nacionalismo criollo en el Perú* (2da. edición), Documento de Trabajo Nº 56, IEP. 
  • QUIJANO, Anibal. 1980 (1960). “Lo Cholo y el Conflicto Cultural en el Perú”, en Dominación y Cultura, editado por Mosca Azul en Lima. 
PERU: “GUERRA EN LOS ANDES”: SENDERO LUMINOSO E A ANTROPOLOGIA NO PERU
  • MAYER Enrique. 1991. Peru in Deep Trouble: Mario Vargas Llosa's "Inquest in the Andes" Reexamined Cultural Anthropology, Vol. 6, No. 4. (Nov., 1991), pp. 466-504. 
  • STARN Orin. 1991. Missing the Revolution: Anthropologists and the War in Peru, Cultural Anthropology, Vol. 6, No. 1, pp. 63-91. 
  • AAVV- ALLPANCHIS. 1998. Respuesta a Orin Starn: “Guerra en los Andes”. Allpanchis XXIII, n.º 39 
  • DEGREGORI, Carlos Iván, "Sendero Luminoso": Parte 1: Los Hondos Y Mortales Desencuentros Parte Ii: Lucha Armada Y Utopia Autoritaria, Documento De Trabajo No 4 Y 6, Serie Antropologia, 2 y 3, IEP Instituto de Estudios Peruanos 
O TORÉ: ÁREA CULTURAL, SISTEMA RITUAL, REFLEXIVIDADE CULTURAL
  • POMPA, Cristina. A religião Tapuia (cap. 9). In: Religião como tradução: missionários, tupi e tapuia no Brasil colonial. Bauru: EDUSC. pp. 339-420. 
  • TROMBONI, Marcos. 2004. Toré Kiriri: o sagrado e o étnico na organização coletiva de um povo. In: Toré: regime encantado dos índios do Nordeste. / Org. de Rodrigo de A. Grunewald. Recife: FJN / Ed. Massangana, pp. 35-60. 
  • BARBOSA, Walllace de D. 2004. O tore (e o praia) entre os kambiwá e os pipipã.: performances, improvisações e disputas culturais. / Org. de Rodrigo de A. Grunewald. Recife: FJN / Ed. Massangana, pp. 129-142. 
  • VALLE, Carlos G. do. 2004. Torém/ tore: tradições e invenção no quadro de multiplicidade étnica do Ceará contemporâneo. / Org. de Rodrigo de A. Grunewald. Recife: FJN / Ed. Massangana, pp. 187-216. 
“LÉGUA EM QUADRO”: MEMÓRIA E TERRITÓRIO EM DOIS MOMENTOS DAS ETNOGÊNESES NO NORDESTE
  • VIEGAS, Susana de M. 2007. Terra calada: sentidos do espaço em compatibilidades equivocas (cap. 8). In: Terra calada: os tupinambá na Mata Atlantica do Sul da Bahia, pp. 237-274. 
  • ARRUTI, J. M. P. A . A árvore Pankararu: fluxos e metáforas da emergência étnica no sertão do São Francisco. In: João Pacheco de Oliveira Filho. (Org.). Antropologia Histórica dos Índios do Nordeste brasileiro. 1ed.Rio de Janeiro: Contra Capa, 1999, v. , p. 229-278. 
  • SCHORODER, Peter. Terra e território Fulni-ô: uma história inacabada. In: Os Fulniô: cultura, identidade e território no Nordeste indígena / Org. de Peter Schoroder. Recife: Ed Univ. UFPE, pp. 15-62. 
ETNOPOLÍTICA NO NORDESTE: DA TUTELA ÀS ARTICULAÇÕES REGIONAIS
  • OLIVEIRA, Kelly. 2013. Mobilizando o Nordeste Indígena (cap.3). In: Diga ao povo que avance!: movimento indígena no Nordeste. Recife: FJN / Ed. Massagarana, pp. 103-166. 
  • LÔBO, Sandro H. C. 2011. A Construção Do Sistema De Justiça Xukuru Do Ororubá Do Ororubá (cap.3) e O Estudo De Casos: princípios e formas de administração da justiça nos Xukuru (cap.4). In: Construindo O Pluralismo Jurídico No Brasil: A experiência da harmonia coercitiva no povo Xukuru do Ororubá. Dissertação em Antropologia da UFPE, pp. 91-129, 130-177. Disponível em: http://indiosnonordeste.com.br/wp-content/uploads/2012/08/Disserta%23U00e7%23U00e3o-Sandro-.pdf

PERU: O PROJETO ANTONIO RAIMONDI EN LA SIERRA DE ANCASH E A ESCOLA ETNOGRÁFICA:

terça-feira, 8 de abril de 2014

Seminário Internacional sobre a Convenção 169 da OIT

A 6ª Câmara de Coordenação e Revisão está organizando o Seminário Internacional sobre a Convenção 169 da OIT, que trata dos direitos fundamentais dos povos indígenas e tribais. O evento ocorrerá no auditório do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), em Brasília, entre 23 e 25 de abril. Será custeada a participação de 30 procuradores que atuem nas áreas temáticas da 6ª Câmara, através de consulta prévia, que ora se faz, acerca do interesse e disponibilidade. O seminário, que conta com o apoio da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU) para emissão de certificado, tem inscrições abertas até as 12h do dia 21 de março de 2014. As inscrições devem ser efetivadas somente pela internet, no endereço http://escola.mpu.mp.br, link“Inscrições”. Clique aqui para ler o edital  da ESMPU sobre a abertura de inscrições.



PROGRAMA

DIA 23
14h: Abertura
  • Carlos Henrique Martins Lima, diretor da Escola Superior do Ministério Público da União
  • Flávio Crocce Caetano, secretário da Reforma do Judiciário, do Ministério da Justiça
  • Deborah Duprat, subprocuradora-geral da República e coordenadora da 6ª Câmara do MPF 
    
14 às 17h30: Mesa 1
  • Santiago Arboleda, afrocolombiano e doctor pela Universidad Andina Simón Bolívar (Equador) - Muerte, destierro y indiferencia estatal: la consulta previa entre los afrocolombianos
  • José Maurício Arruti, antropólogo pela Universidade Estadual de Campinas - O multiculturalismo monista: notas sobre a experiência brasileira na afirmação de direitos que não se efetivam
  • Paulo Thadeu Gomes da Silva, procurador regional da República (membro do MPF) - Os direitos dos índios: paradoxos e colonialismos internos
18h às 20h: Mesa 2


DIA 24
9h às 12h: Mesa 3
  • Juan Carlos Gamboa Martínez, representante da Defensoria del Pueblo da Colômbia - Mobilización étnica y pueblo RRom en Colombia
  • Jô Brandão, quilombola - Povos e comunidades tradicionais no Brasil: a luta pelo reconhecimento ao direito na convenção 169
  • Alfredo Wagner, antropólogo pela Universidade Federal do Amazonas -A nova cartografia social

14h às 17h30: Mesa 4
  • Judith Salgado, profesora de Direito na Universidad Andina Simón Bolívar (Equador), coordenadora do Programa Andino de Direitos Humanos e autora do livro Justicia indígena: aportes para un debate - Género y justicia indígena
  • Antônio Souza Prudente, desembargador federal (membro do Judiciário)
  • Carlos Marés, doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná(Direito dos povos indígenas) e procurador do Estado do Paraná – A Convenção 169 da OIT e os direitos coletivos e comunitários
  • Gersem Baniwa, indígena e antropólogo pela Universidade Federal do Amazonas - Autonomia indígena no Brasil: impasses, desafios e possibilidades

18h às 20h: Mesa 5


DIA 25
9h às 12h: Mesa 6

quinta-feira, 20 de março de 2014

Desigualdades e Diferenças da perspectiva de indígenas e quilombolas

Os  indicadores  agregados  e  as  médias  nacionais,  que  tem  servido  de base  a  uma  representação  otimista do nosso processo de superação das desigualdades, devem ser lidos com  mais atenção, em especial no que se refere aos impactos das políticas de “combate  à  pobreza”  sobre  populações  específicas,  como  aquelas  definidas  por  recortes  étnico-teritoriais.
Em contra-partida da primeira a esta consideração, é preciso reconhecer que a análise  das realidades indígena e quilombola, hoje, deve dialogar com o debate mais amplo  sobre  a  “estrutura  de  desigualdades”  no  Brasil,  tendo  em  conta  as  diferentes  formas de inserção dessas populações nesta estrutura, assim como os impactos das  políticas públicas que resultam deste debate.  Esta segunda hipótese está sustentada em duas observações.
Ao longo dos últimos  quase  15  anos  houve  a  tendência  em  fazer  com  que  as políticas  de  Estado  para  indigenas  e  quilombolas  fossem  cada  vez  mais  transversalizadas,  ou  seja,  deixassem  de  ser  atribuição  de  órgãos  públicos  específicos  (no  caso  indígena,  tutelares),  para  serem  incorporados  às  atribuições  de  diferentes  ministérios,  transformando tais populações em públicos “diferenciados” das mesmas políticas  “universais”. Isso impacta tanto a formulação e gestão das políticas, em especial as  fundiária,  de  educação  e  saúde,  que  se  obrigam  contemplar  as  especificidades  daquelas  populações,  quanto  as  próprias  populações  em  causa,  que  se  veem  obrigadas  a  se  adaptar  a  um  novo  padrão  de  relação  como  o  Estado  e  com  a  sociedade  envolvente. 
Por  outro  lado,  ao  longo  deste  mesmo  período,  a  ação  do  Estado  Brasileiro  esteve  marcada  por  avanços  sociais  baseados  em  políticas  que  têm em vista justamente o combate à pobreza e que são estendidas às populações  indígenas  e  quilombolas  sem  qualquer  adaptação,  mesmo  quando  as  toma  como  público privilegiado. Uma ação contraditória com relação à primeira, na medida em  que tende a assimilar tais populações à massa dos “pobres”.
Assim, assumimos como válido o desafio de transpor para a análise daquelas populações  as  perguntas  relativas  à  “estrutura  de  desigualdades” brasileira  e  sua  recente  evolução,  que  em  geral  as  têm  deixado  de  fora. Com base nisso, demos início a uma reflexão coletiva, que pretende articular diferentes projetos individuais, em torno do tema dos Desiguais Diferentes.

Link para post apresentando este projeto: blog Étnico
Para outras produções sobre o tema: Textos sobre Quilombos

quarta-feira, 19 de março de 2014

ETNICIDADE - Dicionário crítico das ciências sociais dos países de fala oficial portuguesa


Dicionário crítico das ciências sociais dos países de fala oficial portuguesa / org., Livio Sansone e Cláudio Alves Furtado ; prefácio, Lilia Moritiz Schwarcz ; apresentação [feita pelos organizadores], com a colaboração de Teresa Cruz e Silva.- Salvador: EDUFBA, 2014. 494 p. (ISBN 978-85-232-1149-3)


SUMÁRIO

7 Prefácio -Por um dicionário reflexivo e em constante construção - Lilia Moritz Schwarcz e Omar Ribeiro Thomaz
25 Apresentação - Lívio Sansone e Cláudio Alves Furtado, com a colaboração de Teresa Cruz e Silva
31 Assimilacionismo - Lorenzo Macagno
45 Colónia, colonização, colonial e colonialismo - Isabel Castro Henriques
59 Corrupção - Elísio Macamo
75 Crioulo, crioulização - Wilson Trajano Filho
91 Desenvolvimento - Cláudio Alves Furtado
105 Desigualdade e igualdade - José Maurício Domingues
123 Ecumenismo - Emerson Giumbelli
131 Elites negras - Angela Figueiredo e Cláudio Alves Furtado
151 Emancipação - Severino Elias Ngoenha
165 Escravidão - Flávio Gomes
187 Escritores e os projetos de emancipação - Rita Chaves
199 Etnicidade - José Maurício Arruti
215 Índio, índios - Maria Rosário de Carvalho e Ugo Maia Andrade
253 Leis, legislação - João Feres Júnior e Christian Edward Cyril Lynch
271 Língua - Omar Ribeiro Thomaz e Sebastião Nascimento
291 Literatura - Inocência Mata
305 Lusotopia - João de Pina Cabral
309 Mestiçagem - Verônica Toste Daflon
331 Migração - Igor José de Renó Machado e Douglas Mansur da Silva
349 Militarismo - Jorge da Silva
363 Modernidade e tradição - Elísio Macamo
379 Patrimônio - Antonio Motta
393 Raça - Livio Sansone
413 R elações diplomáticas entre o Brasil e a África - Alberto da Costa e Silva
423 Religião - Teresa Cruz e Silva
431 Terra - Antonádia Borges
443 Territorialidade - Emília Pietrafesa de Godoi
453 T rabalho: Brasil, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe - Valdemir Zamparoni, Gino Negro, Maciel Santos, Alexander Keese e Augusto Nascimento
473 Sobre os autores

domingo, 9 de março de 2014

29a. RBA - GT 45 - Histórias indígenas e Contextos do Indigenismo: classificações, territórios e reflexividade cultural

GT 45. Histórias indígenas e Contextos do Indigenismo: classificações, territórios e reflexividade cultural


Coordenadores: José Maurício Paiva Andion Arruti (UNICAMP) e Maria Rosário Gonçalves de Carvalho (Universidade Federal da Bahia)



Este GT pretende retomar, e renovar, uma linha consagrada da reflexão sobre os povos indígenas, qual seja, a da História Indígena e do Indigenismo, assim como homenagear um dos seus principais expoentes entre nós, John Monteiro (1956-2013). Para isso, além de apontar a necessidade de pluralizar as histórias indígenas e de reler o indigenismo em seus variados contextos, propomos realizar este duplo movimento a partir do cruzamento de três temas. (a) Das classificações sociais: questões relativas à própria construção e reconstrução da noção de índio e de indígena, e que mobiliza desde as lógicas de distinção e alianças locais até os mecanismos de nominação coloniais e nacionais. (b) Dos territórios: considerando desde uma etnologia das territorialidades nativas até o que temos denominado de processos de territorialização, para designar o modo especifico pelo qual o território é usado como modo de definir unidades de intervenção estatais. (c) Da reflexividade cultural: modos pelos quais os povos indígenas têm apreendido, incorporado e ressignificado categorias científicas, jurídicas e administrativas, o que nos impele a pensá-las de outro modo que não como simples objeto de saber-poder, ou como cosmologias encerradas em si mesmas. Cruzam tais eixos temas como, as sobreposições territoriais, as etnogêneses, as estratégias de performatividade identitária, as figuras indígenas de mediação cultural, tais como os tradutores, capitães, professores e funcionários do órgão indigenista.

INSCRIÇÕES: http://www.29rba.abant.org.br/inscricoes/capa

quarta-feira, 5 de março de 2014

Curso: Antropologia no Brasil

2014.1

Graduação
Antropologia no Brasil
HZ465 A

EMENTA:
Este curso oferece um amplo painel do percurso da Antropologia no Brasil, que cobre um período próximo a 100 anos. Para isso começaremos com uma reflexão sobre os possíveis sentidos de se falar de uma Antropologia situada, tendo por referência um recorte nacional. Em seguida retornamos até um momento anterior à institucionalização de uma disciplina acadêmica (1870-1930), mas que estão associados à construção de uma reflexão sobre a nação com base no conceito de raça. A partir daí daremos uma atenção especial às direções dadas à reflexão sobre os dois grandes campos de alteridade trabalhados pela Antropologia do período até meados da década de 1980, os estudos sobre o negro e sobre relações étnico-raciais, e a etnologia indígena, associada ou não à reflexão indigenista.  Simultaneamente a isso, procuramos fazer apontamentos gerais sobre os dois momentos cruciais de institucionalização da disciplina, entre 1930 e 1960 e entre 1960 e 1990. Ao final faremos uma breve reflexão sobre dois grandes debates travados no final do período contemplado e que ainda deixam suas marcas sobre os dois campos de estudos privilegiados aqui.

AVALIAÇÃO:
Será composta de duas notas. Na primeira nota serão cobrados relatórios de leitura para cada Bloco discriminado abaixo menos um, que será objeto de apresentação de seminário: 5 relatórios (5 pontos) mais 1 seminário (5 pontos). A segunda nota será relativa à apresentação de um trabalho final (10 pontos). A soma dessas duas notas será dividida por dois para definir a média final.

PROGRAMA [sujeito a ajustes]

Aula 1 – Apresentação do curso 

Bloco 1 - Antropologia no Brasil: o Nacional entre estilo e identidade 
(aulas 2 e 3 )

  • CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto. 1988. ‘‘O que é isso que chamamos de Antropologia Brasileira’’, in Sobre o Pensamento Antropológico, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro.
  • CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto e RUBEN, Guillermo Raúl (orgs). 1995. Estilos de Antropologia. Campinas, Ed. da Unicamp,.
  • PEIRANO, Mariza Gomes e Souza. 1991 - "Os antropólogos e suas linhagens" Revista Brasileira de Ciências Sociais, 6(16):43-50, julho.
  • PEIRANO, Mariza. 1999. “Antropologia no Brasil (alteridade contextualizada)”. In: Sergio Miceli (org.). O que ler na ciência social brasileira (1970-1995). São Paulo: Editora Sumaré, pp. 225-266.
  • PEIRANO, Mariza. 2004“In This Context”: As várias histórias da antropologia. In: PEIXOTO, Fernanda, PONTES, Heloísa, SCHWARCZ, Lília (orgs.). Antropologias, Histórias, Experiências. Belo Horizonte: Editora UFMG.


Bloco 2 - Fundações (1870-1930)
(aula  4) 
  • CARNEIRO, Édison. “Os estudos brasileiros do negro”. 1964. In: Ladinos e Crioulos. R.J, Civilização Brasileira.
  • CORRÊA, Mariza. 2001. As Ilusões da Liberdade: a escola Nina Rodrigues e a antropologia no Brasil. Bragança Paulista, São Francisco,.
  • FARIA, Luiz de Castro. 1993 - Antropologia. Espetáculo e excelência. Rio de Janeiro, Editora da UFRJ/Tempo Brasileiro.
  • MONTERO, John. 1996. As raças indígenas no pensamento brasileiro do Império. In: MAIO, Marcos Chor (org.) Raça, Ciência e Sociedade. Rio de Janeiro: FioCruz/CCBB.
  • SCHWARCZ, Lilia. 1989. O Nascimento dos Museus Brasileiros 1870-1910. In: MICELI, Sérgio (org.). História das Ciências Sociais no Brasil. V. 1, São Paulo: Sumaré/FAPESP.

Bloco 3 - Visões gerais do período 1930-1960
(aula 5 e 6) 
  • CORREA, Mariza. 1988 - "Traficantes do excêntrico. Os antropólogos no Brasil dos anos 30 aos anos 60". Revista Brasileira de Ciências Sociais, 6(3): 79-98, fevereiro.
  • LIMONGI, Fernando. 1989b A Escola Livre de Sociologia e Política em São Paulo. In: MICELI, Sérgio (org.). História das Ciências Sociais no Brasil. São Paulo: IDESP/Editora Vértice/FINEP,. (Volume 1).
  • MASSI, Fernanda Peixoto. 1989 Franceses e Norte-Americanos nas Ciências Sociais Brasileiras (1930-1960). In: MICELI, Sérgio (org.). História das Ciências Sociais no Brasil. São Paulo: IDESP/Editora Vértice/FINEP. (Volume 1).
  • PONTES, Heloisa. 1989. Retratos do Brasil: Editores, Editoras e “Coleções Brasilianas” nas décadas de 30, 40 e 50. In: MICELI, Sérgio (org.). História das Ciências Sociais no Brasil. São Paulo: IDESP/Editora Vértice/FINEP. (Volume 1).
  • RUBINO, Silvana. 1995. Clubes de Pesquisadores: A Sociedade de Etnologia e Folclore e a Sociedade de Sociologia. In: MICELI, Sérgio (org.). História das Ciências Sociais no Brasil. São Paulo: Editora Sumaré,. (Volume 2).

Bloco 4 - Relações étnico-raciais 
(aula 7 e 8) - Estudos sobre o Negro e a ruptura do Projeto UNESCO
  • ARAÚJO, Ricardo Benzaquen de. 1993. Guerra e Paz. Casa-Grande & Senzala e a obra de Gilberto Freyre na década de 30. Editora 34, Rio de Janeiro.
  • PEIXOTO, Fernanda. 2000. Diálogos Brasileiros: uma análise da obra de Roger Bastide, São Paulo, Edusp.
  • PRAXEDES, Rosangela Rosa. 2012. Projeto UNESCO: quatro repostas para a questão racial no Brasil. São Paulo: PUC (Tese de Doutorado em Ciências Sociais).
  • PEREIRA, Cláudio Luiz e SANSONE, Livio (org.). 2007. Projeto UNESCO no Brasil : textos críticos. Salvador : EDUFBA. (http://biblioteca.clacso.edu.ar/Brasil/ceao-ufba/20130403104247/projeto.pdf)

(aula 9) – As relações étnico-raciais entre 1970-2000
  • SCHWARCZ, Lilia. 1999. “Questão racial e etnicidade”. In: Sergio Miceli (org.). O que ler na ciência social brasileira (1970-1995). São Paulo: Editora Sumaré, pp. 267-326.
  • FRY, Peter. 1982. Para Inglês ver. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
  • FRY, Peter e VOGT, Carlos. 1996. A África no Brasil: Cafundó. São Paulo: Companhia das Letras.
  • SANSONE, Lívio e PINHO, Osmundo A. 2008. Raça: novas perspectivas antropológicas.

Bloco 5 - Etnologia  
(aula 10) - indígena e indigenismo
  • CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto de. 1978 - A sociologia do Brasil indígena. 2ª ed. Brasília/Rio de Janeiro, Editora da UnB/Tempo Brasileiro.
  • CARDOSO De Oliveira, Roberto. 1981 [1964]. O Índio no Mundo dos Brancos. Brasília: Editora da Universidade de Brasília.
  • CARNEIRO DA CUNHA, Manuela. 1987. Antropologia do Brasil: Mito, história, etnicidade. São Paulo: Brasiliense.
  • GRUPIONI, Luís Donisete Benzi & GRUPIONI. Maria Denise Fajardo. Depoimento de Darcy Ribeiro.Revista Brasileira de InformaçãoBibliográfica em Ciências Sociais. Rio de Janeiro: n° 44, p. 03-30, 2° sem. 1997.

(aulas 11 e 12) - Direções da Etnologia
  • SEEGER, Anthony; DA MATTA, Roberto & CASTRO, Eduardo Batalha Viveiros de. 1987.  "A construção da pessoa nas sociedades indígenas brasileiras" In: OLIVEIRA, João Pacheco de,org. Sociedades Indígenas e indigenismo no Brasil. Rio de Janeiro/São Paulo, Editora da UFRJ/Editora Marco Zero.
  • CASTRO, Eduardo Batalha Viveiros de. 1987.  "Alguns aspectos do pensamento Yawalpíti (Alto Xingu): classificações e transformações". In: OLIVEIRA, João Pacheco de (org.) IDEM.
  • TAYLOR, Anne-Christine. O Americanismo Tropical, uma fronteira fóssil da etnologia? [link] 
  • TURNER, Terence. 1993. "De Cosmologia a História: resistência, adaptação e consciência social entre os Kayapó", Viveiros de Castro, Eduardo & Carneiro da Cunha, Manuela (orgs.) Amazônia. Etnologia e História Indígena. NHII/USP, FAPESP.LIMA, Antônio C. de S. 1987. Sobre Indigenismo, Autoritarismo e Nacionalidade: considerações sobre a constituição do discurso e da prática da proteção Fraternal no Brasil. In: OLIVEIRA, João Pacheco de (org.) IDEM.
  • OLIVEIRA, João Pacheco de. 1987. O Projeto Tukuna: uma experiência de ação indigenista. OLIVEIRA, João Pacheco de (org.) IDEM.

Bloco 6 - Balanços gerais sobre o período recente 
(aulas 13 e 14) - 1960-2000
  • CORREA, Mariza. 1995. "A antropologia no Brasil (1960-1980)". História das Ciências Sociais no Brasil.Org. Miceli, S.P, Sumaré/FAPESP, vol. 2.
  • REIS, Elisa Pereira & REIS, Fábio Wanderley & VELHO, Gilberto. 1997 . As Ciências Sociais nos Últimos 20 Anos: três perspectivas. Revista Brasileira de Ciências Sociais. Vol 12, nº 35, out..
  • RUBIM, Christina de Rezende. 1997 . Os Programas de Pós-graduação em Antropologia Social do Museu Nacional, Universidade de São Paulo e Universidade Estadual de Campinas. Horizontes Antropológicos. Porto Alegre: UFRGS/IFCH/PPGAS, ano 3, n. 7, p. 97-128.
  • VELHO, Otávio. 2008. “A Antropologia e o Brasil, hoje”. Revista Brasileira De Ciências Sociais - Vol. 23 Nº. 66, pp. 5-9.

(aula 15) - O fim do século XX e a emergência de dois grandes divisores
  • CASTRO, Eduardo Batalha Viveiros de. 1999 – “Etnologia Brasileira” in MICELI, Sérgio (org.). O que ler na ciência social brasileira (1970-1995). Sumaré, São Paulo.
  • OLIVEIRA, João Pacheco de 1999. A viagem da volta. Etnicidade, política e reelaboração cultural no Nordeste indígena. Rio de Janeiro, ContraCapa.
  • Revista Horizontes Antropológicos nº 23 - Seção Espaço Aberto (conferir os 20 artigos do debate sobre cotas raciais)