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domingo, 18 de agosto de 2024

Exposição "Quilombo da Marambaia: do ‘ficar bom’ ao ‘ficar bem’"


Em evento que reuniu cerca de 200 pessoas, o Memorial da Procuradoria da República no Rio de Janeiro (PR-RJ) lançou, na última quarta-feira (14), a exposição "Quilombo da Marambaia: do ‘ficar bom’ ao ‘ficar bem’". A mostra, que ficará aberta ao público até fevereiro de 2025.

Com curadoria de Fabiana Schneider, procuradora da República, e a participação de Emanuel M.M. de Castro, Vania Guerra e Jaqueline Alves, a nova exposição comemora a conquista do Quilombo da Marambaia com o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em 2014. O acordo permitiu a regularização do território da comunidade, após décadas de disputas com a Marinha. Esta vitória foi um divisor de águas para a comunidade, que finalmente obteve o título definitivo de sua terra em 2015.

Também estiveram presentes no evento os advogados e ex-membros do MPF, Daniel Sarmento e Deborah Duprat, o antropólogo José Maurício Arruti, responsável pelo laudo de reconhecimento da comunidade e seu território, e a advogada Aline Caldeira Lopes, que assessorou os quilombolas durante a negociação do TAC. A Marinha também esteve representada no evento. 








Serviço
Exposição "Quilombo da Marambaia: do ‘ficar bom’ ao ‘ficar bem’"
Data: 14 de agosto de 2024 a fevereiro de 2025
Local: Memorial da PR/RJ
Endereço: Av. Nilo Peçanha, 31, Centro - Rio de Janeiro
Entrada gratuita
Galeria de fotos 📸

terça-feira, 9 de maio de 2023

Lugares de Memória e as graves violações de Direitos Humanos contra os povos indígenas













21a. Sema Nacional de Museus 

(15-21 de maio de 2023)

Progamação do LUME - Lugar de Memória (PR)

07.05.23, 10-11:30
Mesa redonda
Lugares de Memória e as graves violações de Direitos Humanos contra os povos indígenas.









domingo, 11 de setembro de 2022

3a. Mostra Pankararu de Música e o "Encontro dos Povos da Cachoeira"

3a. Mostra Pankararu de Música
7 a 10 de setembro de 2022
Aldeia Bem Querer de Cima, Terra Indígena Pankararu, município de Jatobá (PE)


A Mostra, idealizada, produzida e dirigida por Gean Ramos e selecionada pelo programa Natura Musical (Edital 2021), promoveu uma imersão na cultura indígena, debates sobre arte e convivência com a Caatinga e intercâmbio com nomes da música, ao lado de artistas indígenas.

A terceira edição da Mostra Pankararu de Música trouxe como tema o "Encontro dos Povos da Cachoeira". No evento, seis povos do Submédio rio São Francisco, Pankararu, Katokinn, Jeripankó, Tuxá, Pankararu Opará, Pankaiwká e Pankararé, conversaram sobre a importância das antigas cachoeiras do São Francisco e como elas eram locais de encontro e intercâmbio entre seus povos. A última delas desapareceu após a construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga. Eu fui convidado pelos organizadores do evento justamente para animar e mediar essa conversa. Agradeço imensamente a atenção e cuidado de Camila Yasmine e Ana Carolina Ramos, que viabilizaram minha participação.

Programação da 3a. Mostra Pankararu de Música

· Abertura Oficial da Mostra com imersão na cultura Indígena.

· Canto coletivo crianças do Bem Querer,Côco das Antigas Pankararu, Côco Tebei, Buzzo Pankararu.

· Roda de Fogueira: Qual é a sua chama?

· Gean Ramos Pankararu, Almério, Juliano Holanda.

· Povos da Cachoeira: Na correnteza das memórias - Compartilhamento das histórias da Cachoeira. Roda de conversa com a comunidade indígena.

· O que pensam sobre nós? - Compartilhamento de pesquisas acadêmicas e artísticas, com José Maurício Arruti (UNICAMP), Professora Edvânia (IFSertãoPE) e Jailson Lima (SESC Petrolina).

· Cineclube Rabo de tatu - Dois curtas metragens: Otto, Deus te dê boa sorte.

· Espetáculo Aterrágua Cia de Dança SESC Petrolina.

· Reisado Pankararu .

· Luanda Ruanda .

· Subida para a Pedra do Vento.

· Cosmovisão ambiental Pankararu com Eronides Ramos .

· Roda de conversa LGBTQIA+ indígena: Resistência redobrada.

· Performance FYKYA Pankararu.

· Onde ele anda é outro céu - André Vitor Brandão .

· Anderson Cleomar, Edivan Fulni-ô, Genivaldo Ramos, Marcelo Jeneci e Jéssica Caetano.












sábado, 30 de outubro de 2021

História Indígena no Brasil e a importância de John Manuel Monteiro no passado e no presente (Mesa Redonda no COIMI 2021)



O Congresso Internacional Mundos Indígenas (COIMI) é um evento bianual e foi criado no âmbito do Seminário Permanente Mundos Indígenas - América no Centro de Humanidades (CHAM / NOVA FCSH—UAC), na Universidade Nova de Lisboa, Portugal entre os dias 27 a 28 de abril de 2015. O grupo de investigação do CHAM-UNL criou o COIMI, objetivando construir uma maior rede colaborativa em âmbitos nacional e internacional para as discussões interdisciplinares sobre a história dos povos indígenas da América. Para tanto, pretende-se ampliar diálogos entre investigadores indígenas e não indígenas da temática em destaque para que se possam construir possibilidades de novos caminhos teórico-metodológicos sobre a pesquisa acerca dos povos tradicionais do século XVI até o tempo presente e também divulgar as ações em prol da memória, patrimônio cultural, ambiental, história, educação e direitos indígenas de uma forma geral em âmbito internacional.

O II Congresso Internacional Mundos Indígenas - Diálogos sobre História, Direito e Educação Séculos XVI aos Dias Atuais foi executado em novembro de 2017 na Europa em dois países Espanha (Universidade Pablo Olavide, Sevilha) e Portugal (Centro de Humanidades – CHAM-UNL, Lisboa) com resultados extremamente profícuos e assertivos. Em 2018 na América Latina ocorreu no Brasil (Universidade Federal de Campina), Paraíba como apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, CNPq e da Universidade Estadual da Paraíba.

O III COIMI 2019 - EUROPA aconteceu em três países: França (Paris), Espanha (Sevilha) e Portugal (Lisboa). Esse congresso objetivou trazer discussões sobre pesquisas que vem se desenvolvendo na Europa e América e que constroem reflexões sobre as violações, conquistas e recrudescimento das lutas dos povos indígenas na América entre os séculos XVI aos dias atuais. No III COIMI 2021 - ONLINE revisitaremos a temática indígena não com os olhos no passado pelo passado, mas diante das demandas do tempo presente que passaram a ser também reivindicações dos próprios movimentos indígenas das últimas décadas, ou seja, a história, a memória, a educação, o reconhecimento das etnicidades, os territórios, o patrimônio e a natureza, enquanto direitos históricos e inalienáveis.


Acesse a página do evento


Mesa 11 - História Indígena no Brasil e a importância de John Manuel Monteiro no passado e no presente

Comentadora-debatedora:

Maria Regina Celestino de Almeida, UFF, Brasil

Palestrantes:

Edson Silva, UFPE/UFCG/UFRPE, Brasil

Isabelle Braz Peixoto da Silva, Universidade Federal do Ceará – UFC, Brasil

José Maurício P. A. Arruti, UNICAMP, Brasil

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Patrimônios, territórios e cidadania (webnario Fiocruz, 08/11, 14hs)





Patrimônios, território e cidadania é tema do #Conexão em Casa


03/11/2021


Como a noção de patrimônio é apreendida em territórios específicos, tradicionalmente excluídos das políticas desse campo? Para abordar o assunto, a Casa de Oswaldo Cruz convidou os professores e pesquisadores José Maurício Arruti (Unicamp), Camila Maria dos Santos Moraes (Unirio) e Elis Regina Barbosa Angelo (UFRRJ) que compartilharão suas experiências de pesquisa em três universos distintos: comunidades quilombolas, favelas e a Baixada Fluminense. A mesa de debates será moderada pela professora Inês El-Jaick Andrade do Programa de Pós Graduação em Preservação e Gestão do Patrimônio Cultural das Ciências e da Saúde (PPGPAT).

Veja abaixo o resumo sobre as palestras e o currículo dos palestrantes:



Prof. Dr. José Maurício Arruti

Território e imaterialidade: usos políticos do patrimônio em três quilombos sul-fluminenses

A bibliografia sobre política de patrimônio e quilombos é tão breve quanto problemática. Percorremos os mais de 30 anos transcorridos entre a primeira solicitação de tombamento de um território quilombola até o momento atual saltando sobre pequenos textos técnicos e pisando em falso nas citações de pareceres, memorandos, portarias e relatórios de difícil acesso. Dialogando de forma crítica com essa história difusa, esta apresentação descreve brevemente os modos não só diversos, como contraditórios pelos quais a noção de patrimônio agencia território e relações de poder em três comunidades quilombolas sul-fluminenses: da Ilha da Marambaia (Mangaratiba), para a qual a noção de patrimônio é uma das ferramentas da sua expropriação territorial; do Campinho da Independência (Paraty), diante da qual a noção de patrimônio opera a ambiguidade entre inclusão simbólica e exclusão territorial; e do Bracuí, que tem na patrimonialização do Jongo uma fonte de legitimidade e novos projetos (sempre conflituosos) no campo da educação e da afirmação étnica. Essas três situações servem para refletir sobre as diferentes configurações da relação entre patrimônio, quilombos e território.

Currículo: Professor do Departamento de Antropologia, credenciado nos Programas de Pós-Graduação em Antropologia Social e em Ciências Sociais da UNICAMP, e pesquisador do Núcleo Afro do CEBRAP. É membro permanente do Centro de Pesquisa em Etnologia Indígena (CPEI), e do Centro de Estudos Rurais (CERES), onde coordena o Laboratório de Pesquisa e Extensão com Populações Tradicionais, Ameríndias e Afroamericanas (LaPPA). É editor do Boletim Panorama Quilombola (LaPPA/Afro-Cebrap).



Profa. Dra. Camila Maria dos Santos Moraes

Favela em tela: do Museu de Favela ao favela tour digital

Seletas favelas do Rio de Janeiro se consolidaram como atração turística. Na década de 2000, o Estado reconheceu essas áreas como pontos turísticos e incentivou a comercialização das favelas no contexto dos megaeventos, atraindo investimentos e "novas" políticas públicas nas áreas de turismo e cultura. Consultores, analistas e técnicos foram contratados para realizar estudos sobre as potencialidades das favelas e treinar seus moradores para atuarem no turismo, gastronomia e produção cultural. Neste contexto, foram criados museus, galerias e parques naturais (com financiamento público e privado - nacional e internacional) que consolidaram as favelas como um dos principais atrativos da cidade. No entanto, desde 2016, uma série de crises econômicas e políticas no Rio provocaram uma redução acentuada do número de turistas, bem como do investimento nestas áreas. Com a pandemia do novo coronavírus, em 2020, a situação piorou e os projetos de turismo e cultura em favelas foram completamente paralisados. Nesse contexto, em parceria com pesquisadores no Reino Unido e moradores de favelas, iniciamos um projeto para a produção de visitas, tours e exposições virtuais com o objetivo de manter as favelas, seus patrimônios, memórias, e narrativas em movimento, ainda que de forma virtual.

Currículo: Professora do Departamento de Turismo e Patrimônio da UNIRIO, Coordenadora do Observatório do Turismo em Favelas e da TurisData: Base de Dados sobre os Estudos do Turismo e das Mobilidades. Desde 2020, atua também como Co-Investigadora dos Projetos Lockdown Stories (Financiamento Global Challenges Research Fund (GCRF) / Leicester University) e Local Heritage and Sustainability: promote reflection and sharing within and across communities (Financiamento AHRC International Network: Pathways to Impact).



Profa. Dra. Elis Regina Barbosa Angelo (UFRRJ)

Memórias, cidade e patrimônio cultural da Baixada Fluminense

A apresentação tem o intuito de trazer referências sobre memória, cidade e patrimônio cultural da Baixada Fluminense, ao criar uma síntese das pesquisas e atividades desenvolvidas nos âmbitos da graduação e da pós graduação da UFRRJ, na qual se conjuga resultados e desdobramentos de uma gama de projetos sobre esse território e suas relações com o patrimônio cultural. Alguns destaques compreendem projetos que tangenciam as relações simbólicas, as marcas e expressões da Baixada. Os resultados expressam incursões em cidades como Magé, Nilópolis e Nova Iguaçu, e seu reconhecimento enquanto importantes lugares de memória ao tratarem de relações de pertencimento, do reconhecimento das diversas camadas históricas das cidades, da imigração, das migrações, e especialmente de marcas muitas vezes invisibilizadas em discursos midiáticos depreciativos.

Currículo: Professora Associada nos cursos de Bacharelado em Turismo da UFRRJ e no Programa de Pós-graduação em Patrimônio, Cultura e Sociedade, PPGPACs da UFRRJ. Líder do Núcleo de Pesquisa em Patrimônio e Memória - NUPAM, membro do Laboratório de Estudos Etnicidade, Racismo e Discriminação - LEER/USP e colaboradora do grupo de pesquisa Imaginário, mobilidade e patrimônio da UFJF.

Serviço
Palestra: Patrimônios, território e cidadania
Data: 8/11
Horário: 14h
Transmissão ao vivo: Facebook COC (facebook.com/casadeoswaldocruz)

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Patrimônio Cultural, Comunidades Tradicionais e Direitos Civis: as potencialidades de novos dispositivos da sociedade civil no Brasil e em Portugal



Mesa-redonda

Patrimônio Cultural, Comunidades Tradicionais e Direitos Civis: as potencialidades de novos dispositivos da sociedade civil no Brasil e em Portugal

Resumo

A Mesa pretende apresentar novas formas de organização, mobilização e monitoramento de direitos civis políticos e sociais em diferentes campos, incluindo conquistas relacionadas a patrimônios culturais, ambientais e relacionadas a comunidades tradicionais, em especial quilombolas.
O objetivo é perceber de que modo estes dispositivos refletem um protagonismo crescente da sociedade civil face a ameaças advindas de grandes projetos empresariais ou de contextos distópicos de fragmentação das garantias institucionais, das políticas públicas e da Governança estatal. A proposta visa cotejar experiências diversificadas no Brasil e em Portugal, tais como Observatórios, Associações, Fóruns, Movimentos Rizomáticos ou Redes. Entre as diferentes experiências apresentadas, destacaremos ações de defesa de agendas, instituições e políticas públicas no campo do patrimônio cultural; agenciamentos de comunidades quilombolas na defesa de seus direitos constitucionais; e iniciativas de defesa do direito de comunidades tradicionais com relação a políticas e projetos que afetam seus territórios, suas vidas e seus modos de existência.
Resumo expandido (até 8.000 caracteres com espaço contendo, obrigatoriamente, o aprofundamento do detalhamento dos objetivos e questões, bem como a justificativa de sua relevância teórico-metodológica para as Ciências Sociais).

A Mesa “Patrimônio Cultural, Comunidades Tradicionais e Direitos Civis: as potencialidades de novos dispositivos da sociedade civil no Brasil e em Portugal” insere-se num debate mais amplo das Ciências Sociais em torno do fortalecimento da sociedade civil agregando novos dispositivos, tais como Observatórios, Associações, Fóruns, Movimentos Rizomáticos ou Redes. O objetivo é relacionar estes novos dispositivos como forma de construção de um protagonismo da sociedade civil diante de ameaças advindas de grandes projetos empresariais ou de contextos distópicos de fragmentação das garantias constitucionais, das políticas públicas e da governança estatal. Tradicionalmente, o campo do Patrimônio Cultural tanto no Brasil quanto em Portugal tem sido conduzido por ações do aparelho de Estado. Atualmente, muitas conquistas de direitos civis políticos e sociais vêm sendo ameaçadas pela descontinuidade de políticas públicas e tentativas de implementação de grandes projetos empresariais que se chocam com os interesses da população, ameaçando seus territórios e modos de existência. Destacaremos o surgimento de novos dispositivos de monitoramento, agregação de interesses comunitários, veiculação de informações para melhor compreensão das problemáticas por parte da população, agenciamentos de procedimentos jurídicos e políticos para defesa de interesses de populações envolvidas seja com as políticas públicas patrimoniais, seja com as ameaças da expansão de negócios do campo empresarial. 

O cotejamento de diferentes experiências no Brasil e em Portugal nos permitirá uma perspectiva comparativa internacional, agregando novas questões e propiciando vislumbrar caminhos a partir das práticas apresentadas. Paralelamente, indagamos sobre uma possível redefinição do papel do Estado enquanto principal agente de condução, implementação e monitoramento de ações e políticas públicas voltadas para comunidades tradicionais. Ou seja, até onde o fortalecimento de dispositivos da sociedade civil pode vir a tensionar a governança estatal em favor do aumento da participação da população direta ou indiretamente envolvida nas políticas públicas? Os participantes da Mesa são pesquisadores e professores que atuam no campo do Patrimônio Cultural e no campo de políticas públicas relacionadas a direitos constitucionais de comunidades tradicionais, em especial as comunidades quilombolas. 

  • Do lado português, Paulo Peixoto é sociólogo no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, centro de excelência com grande contribuição em pesquisa sobre a relação entre Estado e sociedade civil em contextos internacionais em campos diversos, incluindo o patrimonial. 
  • José Maurício Arruti é pesquisador e professor da UNICAMP e do Afro-CEBRAP com relevante trabalho sobre comunidades negras e quilombolas. 
  • Regina Abreu é pesquisadora e professora do PPGMS/UNIRIO, tendo concentrado uma longa trajetória de pesquisa e ativismo no campo da memória social e do patrimônio cultural. 
  • Luciana Carvalho é pesquisadora e professora do PPGSA/UFPA com reflexão, pesquisa e ativismo na área dos movimentos sociais e ambientais e políticas patrimoniais na região Norte.


segunda-feira, 30 de novembro de 2020

XXVIII Congresso PIBIC-Unicamp: Ocupação territorial indígena histórica e pré-histórica dos Submédio e Baixo São Francisco

  

XXVIII Congresso {virtual} de
Iniciação Científica da Unicamp (2020)




Ocupação territorial indígena histórica e pré-histórica dos Submédio e Baixo São Francisco: intersecções entre antropologia e arqueologia

Autor: Kaetê Spessotto Okano - Universidade Estadual de Campinas
Orientador: JOSE MAURICIO PAIVA ANDION ARRUTI - Universidade Estadual de Campinas

Em resumo, este trabalho tem como foco pesquisas arqueológicas no Nordeste que envolvam povos indígenas, sejam como (a) objetos de interesse direto ou indireto, (b) colaboradores, (c) ambos, (d) conflitantes com o contexto da pesquisa; explorando o conhecimento sobre as ocupações humanas pré-coloniais e sua relação com os territórios atualmente ocupados ou reivindicados pelos povos indígenas da região. Nosso interesse é de produzir uma síntese das informações arqueológicas, assim como uma exploração das características deste campo de investigação, destinados ao debate histórico, etnológico e político sobre a presença indígena histórica e pré-histórica na região. Por isso, o recorte geográfico escolhido se relaciona, de um lado, com os projetos de salvamento arqueológico das barragens instaladas no Rio São Francisco e, de outro lado, com as reivindicações territoriais dos atuais povos indígenas da região. Espera-se contribuir para o diálogo interdisciplinar com a elaboração de um material de referência para posteriores pesquisas nessas áreas.

Palavras-chave: Arqueologia, Etnologia, Vale do São Francisco
Instituição de fomento: PIBIC/CNPq
Unidade: IFCH
Área de estudo: Humanas





domingo, 24 de novembro de 2019

Seminários Terra: Quilombos do Ribeira: território, educação e engajamento social



Seminário com quatro pesquisadores quilombolas do Vale do Ribeira, sobre suas pesquisas individuais e coletivas. Estarão em pauta, em especial os trabalhos de elaboração coletiva da Cartilha para Educação Quilombola, que resulta de um trabalho em parceria com a Defensoria Pública do estado de São Paulo, e o texto sobre os Sistemas Agrícolas Tradicionais Quilombolas, registrado como patrimônio cultural brasileiro pelo IPHAN.
Nossos convidados:

  • Laudessandro Marinho da Silva - Possui graduação em Administração pela Universidade São Francisco. Atuante na área de planejamento e gestão territorial- Quilombo Ivaporunduva; 
  • Márcia Cristina Américo - Possui graduação em Química (UNIMEP), Mestrado, Doutorado e pós-doutorado em Educação pelo PPGE- UNIMEP- Quilombo São Pedro; 
  • Viviane Marinho Luiz – Possui graduação em Pedagogia (UNIMEP), Mestrado e Doutorado Educação pelo Programa de Pós-graduação em Educação da UNIMEP- Quilombo Ivaporunduva; 
  • Luiz Marcos de França Dias - Professor da Rede Estadual de Ensino de São Paulo, graduado em Letras pela Universidade São Francisco, mestrando em Educação pelo PPGE- UNIMEP (Bolsista CAPES)- Quilombo São Pedro. 

Atividade destinada a professores, alunos da graduação e da pós-graduação do IFCH.
Iniciativa do LAPA – Laboratório de Pesquisa e Extensão com Povos Tradicionais Afroamericanos, ligado ao CERES/IFCH, em parceria com o Núcleo AFRO do CEBRAP.
Como parte da atividade, foram realizados 4 pequenos vídeos, um com cada um dos convidados, que em breve estarão disponíveis no site do IFCH.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

O campo do patrimônio e os desafios da antropologia: Quilombos e processos de patrimonialização, na 43a ANPOCS

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FR05  O campo do patrimônio e os desafios da antropologia no Brasil contemporâneo
Nas últimas décadas, a noção de patrimônio ampliou-se consideravelmente no Brasil. Deixou de se referir apenas aos bens imóveis relacionados à noção de passado histórico e passou a englobar o cultural, o intangível, o genético, o intelectual. Deu-se início a um processo de “patrimonialização das diferenças” trazendo para o centro do debate a ênfase em narrativas plurais centradas na noção de diversidade. Essa mudança não foi apenas simbólica. Articulada a políticas e programas voltados para segmentos antes periféricos, ela propiciou o acesso a direitos até então dificilmente disponíveis, como o direito ao território, a políticas educacionais e de saúde diferenciadas e recursos financeiros.
No entanto, as recentes mudanças dos rumos políticos do país levaram a uma crise das políticas públicas na área do patrimônio, com a interrupção de programas e repasse de recursos, que impactam diretamente na atuação de cientistas sociais e dos grupos beneficiários. Esse simpósio, proposto no âmbito das atividades desenvolvidas pelo Comitê de Patrimônios e Museus da Associação Brasileira de Antropologia, procura refletir sobre os efeitos e os impactos dessa crise que se abate sobre o patrimônio. Ele se estrutura em torno dos seguintes eixos de reflexão:
a) A participação em conselhos consultivos: o/as antropólogos/as vêm há algumas décadas participando de conselhos consultivos de agências de patrimônio em escala nacional, estadual e municipal, além de também já terem ocupado a presidência de instituições de patrimônios estaduais e nacional. É tempo de avaliarmos quais os desafios encontrados por estes/as antropólogos/as no contexto destas agências. Como a antropologia tem contribuído para a garantia do reconhecimento da diversidade cultural? Quais dilemas éticos tem enfrentado? Quais conquistas foram possíveis em contextos que sabemos serem, por vezes, adversos? Este debate visa refletir sobre a importância de termos como pauta deste Comitê de Patrimônios e Museus a demanda por representações da antropologia em todos os conselhos estaduais, além da já histórica e importante presença no conselho do IPHAN, sobretudo no atual contexto de dissolução dos mesmos.
b) A atuação nas práticas de identificação e registro do patrimônio imaterial: a ampliação e a democratização das políticas patrimoniais, sobretudo a partir da criação das políticas voltadas para o patrimônio imaterial, trouxeram novos atores e demandas para o campo do patrimônio e favoreceram a emergência de novos sujeitos de direito coletivo.  Propiciaram, outrossim, novas formas de atuação para antropólogos e demais cientistas sociais, através de um mercado de trabalho crescente em que são chamados para identificações, documentações, pesquisas, inventários, laudos, elaboração de dossiês e mapeamentos de saberes tradicionais, festas, celebrações, rituais e um manancial crescente de expressões e práticas performativas singulares. Procuramos aqui refletir sobre os impactos dessa crise política no campo do patrimônio imaterial e nos modos de atuação dos cientistas sociais envolvidos nos processos de patrimonialização.
c) Os impactos na vida dos seus detentores: somada ao avanço das políticas de caráter neoliberal e dos projetos desenvolvimentistas, essa virada política conservadora impacta diretamente na vida de populações indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais, bem como na de moradores de periferias urbanas. Uma de suas consequências diretas é o retrocesso dos direitos dessas minorias e uma crise das políticas culturais e patrimoniais que lhes eram destinadas, colocando em risco o seu patrimônio material e imaterial, os seus modos de vida, a sua integridade física e, num sentido mais amplo, ameaçando a garantia da pluralidade étnico-cultural. Por esses motivos, consideramos fundamental propor ruma mesa-redonda que acompanhe essa nova realidade e contribua com suas reflexões a partir de suas respectivas realidades observadas.
Coordenação geral: Simone Vassallo (UFF) e Izabela Tamaso (UFG)
1ª sessão: A experiencia de cientistas sociais em conselhos consultivos
Dia 22/10, terça-feira, das 17h30 às 19h00
Coordenadora de sessão: Izabela Tamaso (UFG)      
Palestrantes: Silvana Rubino (Unicamp), José Guilherme Magnani (USP), Heitor Frugoli Jr.(USP)
2ª sessão: Antropologia e patrimônio imaterial, entre reflexão e ação        
Dia 23/10, quarta-feira, das 17h30 às 19h00
Coordenadora de sessão: Simone Vassallo (UFF)
Palestrantes: Regina Abreu (UNIRIO), Leticia Vianna (UNB), Antonio Motta (UFPE)
3ª sessão: Patrimônios e populações em risco              
Dia 24/10, quinta-feira, das 17h30 às 19h00
Coordenadora: Regina Abreu (UFRJ)                           
Palestrantes: José Mauricio Arruti (UNICAMP), Luciana Carvalho (UFOPA), Simone Vassallo (UFF)

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Democracia, patrimônio e direitos - a década de 1980 em perspectiva








Agenciamentos do Patrimônio em três comunidades quilombolas do Sul Fluminense: Campinho, Marambaia e Bracuhy
José Maurício Arruti (Dep. Antropologia, UNICAMP)

RESUMO:
Quando as referências aos quilombos foram introduzidas na CF88, elas ficaram separadas entre a Seção dedicada à Cultura (Título VIII, Capítulo III, Seção II, Art. 215 e 216), onde se fala de patrimônio e de tombamentos, e o ADCT (Art. 68), onde se fala de terra e reconhecimento de propriedade. Como no debate sobre Reconhecimento e Redistribuição, os direitos culturais e os direitos territoriais quilombolas foram apartados no papel, ainda que não pudessem ser pensados separadamente no mundo da vida. De fato, o processo político de agenciamento da das leis e das categoriais oficiais pelos movimentos sociais faria com que os dois direitos voltassem a se encontrar, ainda que ao desabrigo da imaginação ordenada e lógica do mundo legal. Neste sentido, o Sul Fluminense figura como um espaço privilegiado de observação. Em três de suas comunidades quilombolas é possível observar modos não só diferentes, como contraditórios e mesmo paradoxais de agenciar território e patrimônio. Na ilha da Marambaia (Mangaratiba), a Marinha de Guerra lançou mão sistematicamente da noção imprecisa e ambígua de patrimônio tombado como estratégia de expropriação territorial da comunidade quilombola. No Campinho da Independência (Paraty), o tombamento foi uma demanda da própria comunidade, como parte de sua busca por segurança jurídica na posse do território, entretanto recusada pelo IPHAN. Finalmente, no Bracuhy, esta relação passou pela patrimonialização do Jongo, que veio dar legitimidade ao grupo e à sua demanda, introduzindo-o em um circuito mais largo de comunidades, ao mesmo tempo gerando conflitos novos. O objetivo desta proposta de estudo é esboçar o arco de variações no agenciamento entre Patrimônio e direitos territoriais desenhado por essas três situações, entendidas como diferentes campos de mediação (agentes em relação, flutuações conceituais, funções simbólicas) e seus efeitos de poder.

PALAVRAS-CHAVE:
Quilombos, Patrimônio, Território, Mediação, Jongo, IPHAN, Militares.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Pankararu são convidados pela Cátedra Kaapora, da UNIFESP, para evento sobre 80 anos da Missão Folclórica


Logotipo da Unifesp
Dia 7 de novembro, Teatro Adamastor Pimentas, Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo (EFLCH/Unifesp) - Campus Guarulhos.
Mais de 120 estudantess e professores de diferentes cursos da EFLCH/Unifesp participaram do evento Os trajes de encantados Pankararu: da Missão de Pesquisas Folclóricas à São Paulo de hoje, promovido pela Cátedra Kaapora, vinculada à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec). Além de representantes da comunidade Pankararu que vive em São Paulo (cerca de 180 famílias), participaram de uma mesa de debate o etnomusicólogo Alberto Ikeda, professor aposentado da Universidade Estudual Paulista (Unesp) e membro da Kaapora, e o antropólogo José Maurício Arruti, professor na Universidade Estudual de Campis (Unicamp). 

Pankararu portal 1
Os praiás Pankararu na Unifesp (Foto: Valéria Macedo)

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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

A destruição do Museu Nacional é a marca mais dolorosa do momento crítico a que a sociedade brasileira chegou

Ao assistir ontem a noite às cenas do incêndio na TV, fiquei mudo e perplexo. Minha primeira reação só veio depois de passar horas assistindo ao incêndio, como para me certificar de que aquilo não era só um pesadelo. Enviei uma breve mensagem para amigos e para colegas de outros países com o máximo que podia expressar no momento: “O museu nacional do Rio de Janeiro completamente destruído pelo fogo, que já dura 5 horas. 200 anos de história científica. Milhares de anos de fontes documentais. Uma das melhores bibliotecas de antropologia do pais. Uma centena de carreiras destruídas. Uma tragédia inestimável, que é a metáfora de uma tragédia ainda maior”. Fui dormir com o peito apertado de dor, raiva e medo.

Estudei no Museu Nacional por mais de dez anos. Comecei em 1989, antes de entrar no mestrado, como estagiário, recém formado em História, do grupo PETI – Projeto Estudo sobre Terras Indígenas. Trabalhei no arquivo histórico e etnológico que a equipe do PETI havia reunido, sob a coordenação dos professores João Pacheco e Antônio C. S. Lima, e que daria origem ao Atlas dos Povos Indígenas do Nordeste (1990). Neste período me encantei com os debates públicos promovidos por professores e estudantes do PPGAS-MN sobre as políticas públicas para indígenas, e que tinham repercussões reais sobre estas mesmas políticas. Uma experiência que me apontou a possibilidade de fundir História e Antropologia, assim como de fazer isso com alguma potência transformadora sobre a realidade.

Depois foram dez anos como aluno, em uma época em que os tempos de pesquisa e redação regulamentares de uma dissertação e de uma tese eram quatro e seis anos. A formação no PPGAS do Museu Nacional é uma marca profunda em todos que passaram por lá. Éramos alunos dos principais nomes formadores da Antropologia brasileira em várias das suas sub-áreas e isso nos era cobrado macia e constantemente. Em torno de um dos pátios internos do grande prédio do Museu Nacional ficavam a sala de aula, as salas dos professores, a secretaria e a Biblioteca Francisca Keller, uma fonte de pesquisa inesgotável, que nos dava acesso tanto à história das Ciências Sociais brasileiras, quanto à bibliografia antropológica internacional mais atualizada.

Entre uma atividade e outra, atravessávamos o pátio como quem atravessa um cenário suspenso no tempo, silencioso e cerimonioso, mas que, desde então, mostrava o desgaste da falta de recursos. Já eram dilemas para a administração da época, tanto a falta de espaço para o contínuo crescimento da biblioteca, quanto o risco que todos nós corríamos com a queda de um ou outro pedaço de reboco do beiral do prédio histórico. Isso contrastava com a certeza de que estávamos imersos em um espaço de saber e ciência, que todos nós reverenciávamos, e cuja alegoria eram os corredores de paredes cobertas de móveis centenários de madeira, com gavetas de fichas de catálogo ou com vitrines que expunham milhares de minúsculas e maiúsculas peças arqueológicas.

O Museu Nacional era uma das nossas instituições maiores, em todos os sentidos. Símbolo da possibilidade que o trabalho intelectual tem em converter um projeto civilizatório imperial em um projeto civilizatório democrático, forjado na luta do saber contra preconceitos, racismos e relações de poder desiguais. Esta instituição foi destruída, não por um acidente, mas por um projeto político concorrente. A destruição do Museu Nacional é a marca mais dolorosa do momento crítico a que a sociedade nacional chegou, ao se degradar na política da ignorância, da opinião sustentada no meme, do egoísmo transformado em teologia, do mercado que não alimenta, mas que se alimenta da vida. A destruição do Museu Nacional é o ato mais espetacular de uma sucessão de atos destinados à destruir a ciência, a arte, a história e a memória brasileiras.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Projeto OS BRASIS E SUAS MEMÓRIAS


o projeto

O projeto “OS BRASIS E SUAS MEMÓRIAS: OS INDÍGENAS NA FORMAÇÃO NACIONAL” propõe-se a realizar pesquisa e produzir dados e interpretações novas sobre um aspecto muito pouco estudado e conhecido na história de nosso país – a continuada e persistente presença da população autóctone não só no período colonial e no século XIX, mas no brasil republicano e atual.


biografias

Com a iniciativa de reunir essas histórias gostaríamos de contribuir para recontar a história do brasil, para implodir os lugares comuns e estereótipos que nela são atribuídos às populações indígenas, produzindo em seu lugar novas fontes de pesquisa histórica.

É com esse intuito que estimulamos TODAS E TODOS PARA QUE CONTRIBUAM COM A CONSTRUÇÃO DE UMA OUTRA MEMÓRIA, conectada com os projetos políticos indígenas contemporâneos. Escolhemos para isso abordar a construção desses projetos e sua realização por meio das biografias indígenas. Ao escrever histórias de uma vida, difundimos histórias de outras vidas às quais aquela está entrelaçada: contamos a história de um povo, de um lugar. A partir da biografia, é possível explicitar, além de eventos e seus encadeamentos, os aspectos que melhor transmitem os propósitos, as estratégias coletivas contra arbitrariedades e violências, e as prioridades culturais e sociais de cada coletividade indígena. Que transmitem o que é fundamentalmente importante para viver, para todas elas!

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Cursos de Formação de Gestores Culturais dos Estados do Nordeste


Aulas

As Dimensões e Públicos da Cultura - Isaura Botelho
Oficina de Diagnóstico da Realidade - Isaura Botelho
Diversidade Cultural e seus Mecanismos de Proteção e Promoção - José Maurício Arruti
Cultura, Diversidade e Desenvolvimento - José Maurício Arruti

Evento

Módulo II do Curso de Formação de Gestores Culturais dos Estados do Nordeste (modalidades de Extensão e Aperfeiçoamento em Gestão Cultural), em Recife-PE, dias 29 e 30/abr/2016. 

Programa 

O programa  é promovido pelo Instituto de  Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos/UFBA, em parceria com o Ministério da Cultura  (MinC), a Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ), a Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco  (SECULT-PE), a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE).

Público

O corpo discente do Programa compreende, em sua maioria, gestores públicos da Cultura  atuantes em diversos municípios da região Nordeste, em especial do estado de Pernambuco.





27-30/abril/2016


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

11a. Conferência Internacional de Jovens Pesquisadores em Patrimônio

A Décima Primeira Conferência Internacional de Jovens Pesquisadores em Patrimônio é organizada pela Canada Research Chair on Urban Heritage, the Groupe interuniversitaire de recherche sur les paysages de la représentation, la ville et les identités urbaines (PARVI / Interuniversity Research Group on Landscape Representation, the City, and Urban Identities), a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e o programa de pós-graduação em história do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP.
Há 25 anos, o sociólogo David Harvey previu a crescente espetacularização do espaço urbano que acompanharia as rápidas transformações nos modos de representação da sociedade ocidental e de suas áreas de influência cultural. Sua tese, que se mostra relevante, afirma que existe uma crescente competição sobre a produção das imagens na experiência cotidiana nas cidades neoliberais. Na vasta floresta de signos, produzidos e consumidos no meio urbano, apenas os artefatos mais poderosos conseguem captar a nossa atenção. Qualquer produção cultural concebida sob o reino do olhar deve se tornar, em si, uma forma de espetáculo estruturada a partir de seu exterior (Guy Debord, 1967) ou definida pelo desaparecimento do real (Baudrillard, 1995).
O destino do patrimônio, dentro desta disputa pela atenção midiática, é marcado pelo fato de que o compreendemos a partir da ameaça de seu eminente desaparecimento. Assim, é legítimo indagar como ele conseguirá emergir no fluxo dos “eventos espetaculares” os quais também começam a receber menor interesse. Para além do medo da perda, os projetos de patrimonialização cristalizam o desejo por legitimação de práticas e objetos há muito reconhecidos e institucionalizados, mas também o de lugares de memória conflituosa, definida pelo horror e pelo trágico, nos quais o sofrimento e a morte são transformados em espetáculo. Neste contexto, a representação do patrimônio está se sobrepondo a seu sentido e conteúdo? Estes são temas e processos-chave que gostaríamos de debater ao longo desta Conferência.
A edição 2015 da Conferência Internacional de Jovens Pesquisadores em Patrimônio ocorrerá pela primeira vez no Brasil. O país possui um vasto patrimônio urbano que inclui sete centros históricos registrados pela lista Mundial da UNESCO. Muitos de seus patrimônios construídos, que funcionam em escala internacional como icônicos (Brasília, por exemplo), experimentam uma difícil coexistência com os símbolos e desejos das comunidades locais. Os megaeventos como a Copa do Mundo da FIFA (2014) e os Jogos Olímpicos (2016) fazem parte desta dinâmica do espetáculo, sendo que uma rede de imagens associadas ao patrimônio envolve e não raro ironicamente mascara, o trabalho de destruição massiva de regiões inteiras ao redor dos locais escolhidos para sediar os eventos. Ainda, em termos de práticas locais, a “patrimonialização” de espaços associados ao recente período ditatorial ou por exemplo às favelas no Rio de Janeiro, nos forçam a refletir sobre o controverso jogo da espetacularização.
A Conferência foi concebida para propiciar uma oportunidade de troca, reflexão e questionamento sobre o papel da imagem na disseminação do patrimônio e nas várias formas de criar, produzir a adaptar o patrimônio na busca de torná-lo atraente ou desejável.
Este encontro reúne especialistas do património de oito países, levando-nos a uma viagem ao longo das Américas do Norte e do Sul, da Europa e da África. Uma vasta gama de tópicos, tais como a marca de memoriais de guerra, espaço urbano e patrimônio, patrimônio na esfera da mídia e do turismo em bairros pobres e em vias de extinção permitirá uma reflexão rica e profunda sobre o significado da herança neste “media turn” bem como sobre a idéia de património como recurso cultural e econômico em uma época de transformações urbanas tremendas.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Intercâmbio de professores indígenas: o Médio Xingu visita os pankararu (PE)

Intercâmbio:


Contexto e objetivos deste intercâmbio: 

Este intercâmbio, em Pernambuco, representa a terceira atividade do ciclo de formação que lhes é oferecido no contexto do PBA-CI, da região de Belo Monte
- componentes: povos Arara, Juruna, Parakanã, Xikrin, Xipaia e Asurini, são homens e mulheres entre 20 a 30 anos aproximadamente. Eles acabaram de concluir a primeira turma de magistério indígena do município de Altamira, que ocorreu concomitantemente à conclusão condensada do ensino fundamental e do ensino médio. Alguns tiveram um ou dois outros encontros de qualificação promovidos pela Secretaria de Educação SEMED de Altamira.

Programa:

1º. Quinta, 07/05 
M: Chegada em Recife, viagem para Pankararu
T: Reunião de equipe: planejamento

2º. Sexta, 08/05
M: Roda de conversa entre todos os professores pankararu e os do Médio Xingu; apresentações culturais de Pankararu e do Médio Xingu
T: Roda de conversa entre todos os professores pankararu e os do Médio Xingu; apresentações culturais de Pankararu e do Médio Xingu

3º. Sábado, 09/05
M: Passeio na bica, reunião de equipe: avaliação I
T: Conversa com a COPIPE

4º. Domingo, 10/05
M: Livre / passeio pelas aldeias
T: Visita a Tacaratu e Represa de Itaparica

5º. Segunda, 11/05
M: Visita na escola indígenas e apresentação cultural pelos alunos (Marechal Rondon, Santa Inês, José Luciano, Apinajê)
T: Visita na escolas indígenas e apresentação cultural pelos alunos (Caxiado, Carlos Estevão, Agreste, Cabral)
N: Visita na escolas indígenas e apresentação cultural pelos alunos (Ezequiel, Extensão Quiteria Maria de Jesus)

6º. Terça, 12/05
M: Aula no Museu-Escola
T: Visita à Casa de Memória Tronco Velho Pankararu

7º. Quarta, 13/05
M: Visita a Represa de Paulo Afonso
T: Retorno

8º Quinta, 14/05
M: Museu do Homem do Nordeste (Fundação Joaquim Nabuco)
T: Conversa na UFPE

9º Sexta, 15/05
M: Museu do Estado (coleção Carlos Estevão)
T: Museu Instituto Ricardo Brennand (coleção Pernambuco Holandês)

10º. Sábado, 16/05
M: Visita ao projeto Peixe Boi
T: Vista à Ilha de Itamaracá

11° Domingo, 17/05
M: Visita ao Caís do Sertão e ao Paço do Frevo
T: Passeio por Recife

Primeira Parte: entre os Pankararu


Segunda Parte: em Recife, entre museus e universidade

Os dias 14 a 16 de maio foram dedicados a atividades em Recife, realizadas com o apoio do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidade (NEPE) do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPE.
“essas atividades em Recife oferecem muita informações sobre, o contexto de formação das coleções etnográficas, sobre a gestão das instituições, que mantem a guarda, e as visibiliza, os diversos usos (científicos, pedagógicos e políticos), que vem sendo dado a tais coleções. A questão dos museus e casas de memória são importante documentar, uma vez que o NEPE, tem um trabalho acumulado nessa área dos Museus Indígenas”

Os pesquisadores do NEPE, Renato Athias, Alexandre Gomes, Manuela Schiliati e Wilke Melo, organizaram uma intensa programação, para os professores indígenas da região de Belo Monte, no Pará, e essa programação, recebeu o apoio de Margot Monteiro diretora do Museu do Estado de Pernambuco, no tocante a Coleção Etnográfica Carlos Estevão de Oliveira; e Maurício Antunes, Coordenador Geral de Museus da FUNDAJ do Museu do Homem do Nordeste. Vejam a programação:

Primeiro momento, manhã do dia 14 de maio de 2015
Visita ao Museu do Homem do Nordeste
Temática: Um museu antropológico e a visão sobre os povos indígenas
Mediador: Núcleo Educativo do MUHNE e Alexandre Gomes (NEPE/UFPE)
Breve descrição: visitação a um tradicional museu etnográfico da região Nordeste do Brasil, concebido pelo sociólogo Gilberto Freire e Aécio Oliveira, que vem nos últimos anos sendo repensado à luz dos princípios teóricos e práticos da Museologia Social e da Antropologia pós-interpretativa, principalmente no que se refere às construções sociais sobre o Nordeste, como região, e à relação com os grupos sociais representados em suas coleções e exposições, entre estes, as populações indígenas. A atividade visa refletir sobre os museus como lugares de apresentação dos povos indígenas, suas histórias e culturas, e as possibilidades atuais de reconfiguração de discursos e práticas museais, a partir dos objetos e do trabalho educativo do Museu do Homem do Nordeste, da FUNDAJ.

Segundo momento, tarde do dia 14 de maio de 2015
Atividade no Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidade/UFPE
Temática: Os museus indígenas e a construção da auto-representação: compartilhando algumas experiências dos indígenas no Nordeste brasileiro
Mediador: Alexandre Gomes e José Ronaldo Kapinawá, integrantes do projeto Museus Indígenas em Pernambuco (NEPE/UFPE)
Breve descrição: Roda de diálogo entre os indígenas do Médio Xingu e os integrantes (estudantes, e professores, museólogos e antropólogos) do Projeto Museus Indígenas em Pernambuco (2011/2013), sobre as atividades que vem sendo desenvolvidas junto com povos indígenas no Nordeste, na perspectiva da organização e fortalecimento dos processos museológicos e museus indígenas, como espaços de construção de auto-representações, intimamente relacionados com as mobilizações étnicas e processos organizativos destes povos. A atividade visa impulsionar uma troca de experiências entre os participantes, enfatizando as potencialidades e desafios da gestão indígena dos processos museológicos e museus indígenas.

Terceiro momento, manhã do dia 15 de maio de 2015
Visita ao Museu do Estado de Pernambuco, temática: A Coleção Carlos Estevão de Oliveira: o olhar indígena para as coleções etnográficas
, Mediador: Wilke Melo, indígena do povo Fulni-ô, (antropólogo, participante da equipe que realizou a catalogação da Coleção Carlos Estevão de Oliveira, do Museu do Estado de Pernambuco e que desenvolve ações museológicas e de memória entre os Fulni-ô.
Breve descrição: Visitação, organizada por Gertrudes Gomes Lins, da Reserva Técnica do Museu do Estado, que possui como uma de suas principais coleções etnográfica do país, os objetos que foram reunidos pelo antropólogo Carlos Estevão de Oliveira durante sua vida. Esta coleção, que foi catalogada por pesquisadores vinculados ao NEPE/UFPE, entre 2009 e 2012, é composta de objetos e documentos referentes há mais de 54 povos indígenas no Brasil e América do Sul. A atividade visa exercitar um olhar dos indígenas participantes do grupo, mediado pelo antropólogo Wilke Melo, sobre os objetos desta coleção e o trabalho técnico de catalogação da mesma.