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quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Cotas para negros, encontros de saberes para indígenas: gramática da inclusão étnico-racial no ensino superior

 


Resumo

O texto analisa a gramática mobilizada na arena pública que se formou a partir das discussões sobre políticas de inclusão étnico-racial no Brasil, mostrando convergências e diferenças no vocabulário e nas estratégias de ação de defensores de ações afirmativas destinadas a pessoas negras e indígenas. Examina em detalhe o debate que culminou na criação de um vestibular indígena na Unicamp em 2018, como parte de um programa mais amplo de ações afirmativas.

Palavras-chave: indígenas; ensino superior; ações afirmativas; cotas

http://dx.doi.org/10.25091/S01013300202400020005

https://novosestudos.com.br/produto/edicao-129/#670065647ff13

domingo, 28 de julho de 2024

Censo Demográfico de 2022, Mobilidades indígenas e Educação Diferenciada na 34a. RBA

34a RBA - Reunião Brasileira de Antropologia, realizada entre os dias 23 e 26 de julho de 2024 na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).


MR 34: Indígenas, quilombolas, metodologias participativas e território na produção do Censo demográfico nacional de 2022

Coordenação: José Maurício Paiva Andion Arruti

Participantes: João Pacheco de Oliveira Filho (UFBA), Marta de Oliveira Antunes (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE), Fernando Damasco (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE)

Descrição: A título de descrever um território e uma população, os censos produzem e impõem recortes e classificações, construindo representações de largo alcance e extensas consequências. As dimensões territoriais do Brasil, a sua estrutura de desigualdades e o racismo estrutural impõe à realização do censo demográfico dificuldades e disputas tão importantes de se conhecer quanto o próprio “retrato de família” que resulta dele. Em 1991, o primeiro censo demográfico realizado no curso do processo de redemocratização brasileira incluiu a opção “indígena” nas respostas à pergunta sobre cor ou raça. Em 2022, sob uma conjuntura absolutamente diversa e adversa, foi incluída mais uma opção: “quilombola”. As novas classificações étnicas disponíveis transformam radicalmente aquele retrato e agregam novas dificuldades e disputas à realização do censo, tanto quanto forçam a própria Antropologia a alterar os jogos de escala nos quais desenvolve suas reflexões sobre identidades e grupos étnicos no Brasil. Nosso objetivo é discutir o lugar da Antropologia nas reformulações recentes do censo demográfico, desde o seu planejamento e execução, até a sua legibilidade. Daremos especial atenção a dois aspectos inovadores: de um lado, o processo de consulta, de formação diferenciada das equipes e de adaptação metodológica aos contextos étnicos concretos; e, de outro, as novas categorias sócio-espaciais de captura de dados, baseadas em uma cartografia censitária colaborativa e participativa.




GT 073: Mobilidade, memória e etnicidade: trajetórias biográficas e familiares indígenas

Coordenação: José Maurício Paiva Andion Arruti e Claudia Mura (UFAL)

Resumo: Este GT visa reunir pesquisas etnográficas que abordam a mobilidade de pessoas e famílias indígenas e seus processos de re-configuração sócio-espacial, em ambientes rurais ou urbanos, em contextos de desigualdade e convivialidade. A mobilidade é aqui compreendida desde sua dimensão histórica, condição para a análise das suas formas contemporâneas, e como uma maneira de habitar o mundo, de construir relações, produzir vida e lugares, por meio do agenciamento de memórias, entidades e conhecimentos. As configurações sócio-espaciais apontam para os modos materiais de reelaboração familiar e étnica, para além das fronteiras físicas e administrativas das Terras Indígenas, em contextos de subalternização e marginalização, mas também de re-produção do comum, na forma de fluxos, redes, lugares ou novos territórios. Finalmente, o nexo entre relações de desigualdade e convivialidade assinala nosso interesse nas configurações sociais constituídas simultaneamente por laços de solidariedade e cooperação, bem como por diferenças, conflitos e dominação, de seres humanos entre si e destes com outros seres vivos. Serão valiosas as contribuições que analisem as perspectivas e conceptualizações indígenas sobre suas próprias trajetórias individuais e familiares, assim como as dinâmicas de atualização dos coletivos étnicos, que valorizem os agenciamentos da memória e invistam sobre a reflexividade que o próprio deslocamento promove sobre a condição indígena.



GT 046: Educação diferenciada e territorialidades: fazeres, conflitos e resistências

Coordenação: Claudina Azevedo Maximiano, Euzalina da Silva Ferrão, Thereza Cristina Cardoso Menezes, Maria Helena Ortolan, Alfredo Wagner Berno de Almeida

Apresentação do trabalho:

A produção acadêmica sobre educação diferenciada em comunidades tradicionais

Autores: Kalyla Maroun (UFRJ), José Maurício Paiva Andion Arruti (UNICAMP)

Resumo: Este trabalho objetiva debater sobre os significados da educação diferenciada entre comunidades tradicionais a partir de uma análise sobre a produção acadêmica disponível sobre a temática. No debate sobre uma possível demarcação conceitual de educação diferenciada, ou currículo diferenciado, partimos da hipótese de que ela não se configura como um objeto em si mesmo, sobre a qual se possa teorizar de forma abstrata, voltando-se a uma linguagem que emerge de situações de conflitos e disputas locais, travadas muitas vezes entre os desejos comunitários para a escolarização, e o currículo universalista, que perpassa documentos como as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica e a Base Nacional Comum Curricular. No intuito de verificarmos tal argumento, fomos à bibliografia disponível sobre o tema, por meio da coleta de referências na plataforma Scielo, utilizando as seguintes palavras-chave na busca: educação diferenciada or currículo diferenciado. Encontramos 87 referências, dentre as quais somente 15 abordavam a temática. Foram analisados 11 artigos que tratavam da educação escolar diferenciada indígena, 1 da educação escolar diferenciada caiçara e 3 da educação escolar diferenciada quilombola. Percebemos que a dificuldade de abordar a educação diferenciada como um objeto autônomo está, portanto, no fato de as suas manifestações concretas não resultarem de um projeto comum, mas de reações locais singulares, que variam tanto com relação à configuração e aos projetos políticos (pedagógicos) das comunidades (escolares) de referência, quanto com relação a uma sensibilização dos gestores públicos, em seus diferentes níveis, em incorporarem tais singularidades. As manifestações concretas da educação escolar diferenciada são, por isso, não só variadas, mas efetivamente contraditórias, tendo em comum, principalmente, o fato de resultarem de um conflito de perspectivas, projetos e expectativas. Isso, porém, não elimina a importância do debate acadêmico pautado nas diferentes experiências de educação diferenciada de comunidades/povos tradicionais, à medida que ele pode vir a contribuir com a reflexão sobre as ações pedagógicas realizadas no cotidiano escolar, junto aos desejos comunitários de indígenas, quilombolas, caiçaras, dentre outros. Apesar de o tema estar relacionado a um núcleo de elementos comuns, como os currículos, pedagogias e/ou projetos pedagógicos próprios, que tematizam demandas identitárias, sociais, políticas, culturais, linguísticas e econômicas das comunidades, a educação diferenciada não pode ser considerada um objeto em si mesmo, tendo em vista que representa projetos singulares de educação escolar, que não podem ser deslocados para contextos diferentes daqueles nos quais estão inseridos.

domingo, 7 de abril de 2024

Entrevista: O ‘levantar aldeia’ dos Pankararu como contraponto à tese do marco temporal (JORNAL PORANTIM, EDIÇÃO 464)

Tornar-se Terra Indígena: o ‘levantar aldeia’ dos Pankararu como contraponto à tese do marco temporal

A Lei 14.701/23 é fruto de uma vitória anti-indígena no Congresso Nacional, mas além de ter a Constituição Federal como principal obstáculo, enfrenta contrapontos e conceitos autóctones que tratam do direito à Terra Indígena


ENTREVISTA A RENATO SANTANA – DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO CIMI NORDESTE – MATÉRIA PUBLICADA ORIGINALMENTE NA EDIÇÃO 464 DO JORNAL PORANTIM


Corrida do Imbu, ritual realizado tradicionalmente na TI Pankararu.
Foto: arquivo povo Pankararu



domingo, 29 de outubro de 2023

Seminário Cebrap “Censo 2022: um retrato do país”

O Seminário Cebrap do dia 27/10, às 11h, será dedicado ao “Censo 2022: um retrato do país”. O debate será presencial, no auditório do Cebrap.



O evento discutirá as mudanças metodológicas no Censo 2022 comparado aos anteriores e as transformações demográficas que caracterizam o país na última década, especialmente no que diz respeito às populações indígena e quilombola.

Embora não seja transmitido ao vivo, o Seminário está disponível no Canal do Cebrap no YouTube: https://youtu.be/ysmVIce74_E?si=Db3sLoDGFdHJYKS4

terça-feira, 9 de maio de 2023

Lugares de Memória e as graves violações de Direitos Humanos contra os povos indígenas













21a. Sema Nacional de Museus 

(15-21 de maio de 2023)

Progamação do LUME - Lugar de Memória (PR)

07.05.23, 10-11:30
Mesa redonda
Lugares de Memória e as graves violações de Direitos Humanos contra os povos indígenas.









quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Indigenous school education as contested spaces

The Australian Journal of Indigenous Education Volume 51 | Number 2| 2022



Indigenous school education as contested spaces: The Brazilian experience in São Paulo and Mato Grosso do Sul

Antonio Augusto Rossotto Ioris, Cardiff University – School of Geography and Planning
Flávia Longo, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH, Unicamp
Roberto do Carmo, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH, Unicamp
Jose Mauricio Arruti, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH, Unicamp



BrazilIndigenous schools are spaces for the convergence of different worldviews and to demonstrate how the creativity of each ethnic group challenges exogenous and established concepts and methodologies. The present article examines main trends and pending gaps related to indigenous education in Brazil between the years 2007 and 2019. Issues such as the characterisation of indigenous schools, teachers and students are analysed, with a focus on the evolution of the number of students enrolled, infrastructure, language and pedagogic approaches. The analysis is focused on the states of Mato Grosso do Sul, which has a large indigenous population and an economy based on export-oriented agribusiness, and São Paulo, the main economic, demographic and political centre of Brazil with a much smaller indigenous population. The results demonstrate concrete improvements, especially the expansion of the number of schools and the student population. A growing number of schools are now dedicated to serve indigenous populations and make use of specific teaching material (although this material is of uneven quality). However, many problems remain unresolved, as in the case of threats to funding and uncertain administrative support from public authorities, a situation that has been aggravated in recent years with the growing adoption of elitist, anti-indigenous government policies.


Keywords: Brazil, indigenous studies, indigenous geography, social justice, primary schools, basic education


Universidade e mobilidade indígena: impactos da busca pelo ensino superior (Jornal NEXO-Políticas Públicas / Afro-CEBRAP)

 




























sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Mérito Científico PIBIC: Um olhar sobre indígenas em universidades privadas, de Rafael Novais







Prezado(a) Prof(ª). Dr(ª) JOSE MAURICIO PAIVA ANDION ARRUTI
IFCH
C/c. Aluno(a) Rafael Rocha Novais

A Pró-Reitoria de Pesquisa da UNICAMP tem o prazer de agraciar com Mérito Científico o trabalho "Um olhar sobre indígenas em universidades privadas: aproximações a uma maioria “invisível"" apresentado pelo(a) aluno(a) Rafael Rocha Novais (em cópia) e desenvolvido sob a orientação de V.Sa. O referido trabalho foi avaliado como um dos 20 melhores trabalhos de Iniciação Científica apresentados durante o XXX Congresso de Iniciação Científica da Unicamp.

A Pró-Reitoria de Pesquisa congratula V.Sa. e o(a) aluno(a) pela distinção obtida por seu trabalho junto ao referido Congresso.

Enviaremos os certificados de Mérito Científico diretamente aos orientadores responsáveis, via malote da Universidade.

Como informado anteriormente, haverá uma premiação em espécie, no valor de R$3000,00 (três mil reais, bruto) aos alunos agraciados com Mérito Científico durante o evento; deste valor serão descontados os impostos devidos. O depósito deste valor será realizado no mês de janeiro de 2023.

[...]

Na oportunidade, renovamos-lhes os protestos de estima e consideração.

Atenciosamente,

Prof. Dr. João Marcos Travassos Romano
Pró-reitor de Pesquisa
UNICAMP



domingo, 11 de setembro de 2022

3a. Mostra Pankararu de Música e o "Encontro dos Povos da Cachoeira"

3a. Mostra Pankararu de Música
7 a 10 de setembro de 2022
Aldeia Bem Querer de Cima, Terra Indígena Pankararu, município de Jatobá (PE)


A Mostra, idealizada, produzida e dirigida por Gean Ramos e selecionada pelo programa Natura Musical (Edital 2021), promoveu uma imersão na cultura indígena, debates sobre arte e convivência com a Caatinga e intercâmbio com nomes da música, ao lado de artistas indígenas.

A terceira edição da Mostra Pankararu de Música trouxe como tema o "Encontro dos Povos da Cachoeira". No evento, seis povos do Submédio rio São Francisco, Pankararu, Katokinn, Jeripankó, Tuxá, Pankararu Opará, Pankaiwká e Pankararé, conversaram sobre a importância das antigas cachoeiras do São Francisco e como elas eram locais de encontro e intercâmbio entre seus povos. A última delas desapareceu após a construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga. Eu fui convidado pelos organizadores do evento justamente para animar e mediar essa conversa. Agradeço imensamente a atenção e cuidado de Camila Yasmine e Ana Carolina Ramos, que viabilizaram minha participação.

Programação da 3a. Mostra Pankararu de Música

· Abertura Oficial da Mostra com imersão na cultura Indígena.

· Canto coletivo crianças do Bem Querer,Côco das Antigas Pankararu, Côco Tebei, Buzzo Pankararu.

· Roda de Fogueira: Qual é a sua chama?

· Gean Ramos Pankararu, Almério, Juliano Holanda.

· Povos da Cachoeira: Na correnteza das memórias - Compartilhamento das histórias da Cachoeira. Roda de conversa com a comunidade indígena.

· O que pensam sobre nós? - Compartilhamento de pesquisas acadêmicas e artísticas, com José Maurício Arruti (UNICAMP), Professora Edvânia (IFSertãoPE) e Jailson Lima (SESC Petrolina).

· Cineclube Rabo de tatu - Dois curtas metragens: Otto, Deus te dê boa sorte.

· Espetáculo Aterrágua Cia de Dança SESC Petrolina.

· Reisado Pankararu .

· Luanda Ruanda .

· Subida para a Pedra do Vento.

· Cosmovisão ambiental Pankararu com Eronides Ramos .

· Roda de conversa LGBTQIA+ indígena: Resistência redobrada.

· Performance FYKYA Pankararu.

· Onde ele anda é outro céu - André Vitor Brandão .

· Anderson Cleomar, Edivan Fulni-ô, Genivaldo Ramos, Marcelo Jeneci e Jéssica Caetano.












sexta-feira, 27 de maio de 2022

Encarceramento de pessoas indígenas como problema jurídico-antropológico

Seminários LaPPA



Data: 27 de maio de 2022

Horário: 16h às 18h (virtual)



Ementa:

Opresente seminário busca explorar a temática do encarceramento de pessoas pertencentes a povos indígenas como problema jurídico-antropológico. A partir do aprofundamento com os debatedores convidados, visando potencializar a luta dos povos originários, propõe-se averiguar o papel da antropologia e dos antropólogos diante dos desafios e limites do processo judicial criminal e do aprisionamento de pessoas indígenas e das possibilidades de alternativas à prisão e soluções próprias de conflitos.






Transmissão no canal do yutube do IFCH:
https://www.youtube.com/watch?v=lYbaTtVJV3A


Palestrantes:
  • Caroline Hilgert – Assessora jurídica do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e do Instituto das Irmãs da Santa Cruz (IISC) e mestranda em Antropologia Social pela Unicamp.
  • Ivo Cipio Aureliano – Ivo Macuxi, como também é conhecido, éadvogado e desde 2018 integra o Departamento Jurídico doConselho Indígena de Roraima (CIR).
  • Gustavo Hamilton Gustavo Hamilton Menezes é doutor em antropologia social pela Universidade de Brasília, com pós-Doutorado na área de antropologia jurídica pela Universidade de Columbia Britânica, no Canadá.
  • Jorge Eremites de Oliveira – Professor do Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFPel.
Mediação: Prof. José Mauricio Arruti




quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA EM SÃO PAULO E MATO GROSSO DO SUL: PRIMEIROS RESULTADOS DE PESQUISA

Guarani e Kaiowá : relatos / Antônio Augusto Rossotto Ioris, Levi Marques Pereira, Jones Dari Goettert (orgs.). – 1. ed. - Curitiba : Appris, 2022. 483 p. ; 23 cm. – (Ciências sociais).





CAPÍTULO 11 - EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA EM SÃO PAULO E MATO GROSSO DO SUL: PRIMEIROS RESULTADOS DE PESQUISA (pp. 315-348), por Flávia Vitor Longo, Antônio Augusto Rossotto Ioris, Roberto Luiz do Carmo, José Maurício Paiva Andion Arruti.

Resumo: Esse texto apresenta um resumo dos principais resultados da pri- meira fase da pesquisa “Educação Escolar Indígena e Justiça Socioespacial no Brasil” (Indigenous School Education and Socio-Spatial Justice in Brazil) realizada por meio de parceria entre a Universidade de Cardiff (School of Geography and Planning), Unicamp (Núcleo de Estudos de População ‘Elza Berquó’ e Laboratório das Licenciaturas do IFCH-L3) e a Univer- sidade Federal da Grande Dourados (Curso de Geografia), com recursos do fundo britânico de pesquisa GCRF (Global Challenges Research Fund; código do projeto: JA2610RC04). O objetivo principal do projeto é avaliar a qualidade da educação primária em escolas indígenas, sua contribui- ção para o bem-estar das comunidades e sua relevância política quanto à afirmação de identidades étnicas e à recuperação de terras ancestrais. Trata-se de um estudo piloto nos estados brasileiros de São Paulo e Mato Grosso do Sul com uma estratégia de investigação quali-quantitativa e engajamento transversal com as populações e comunidades parceiras (IORIS et al., 2019), que deverá ser posteriormente expandido para o restante do país.

sábado, 30 de outubro de 2021

História Indígena no Brasil e a importância de John Manuel Monteiro no passado e no presente (Mesa Redonda no COIMI 2021)



O Congresso Internacional Mundos Indígenas (COIMI) é um evento bianual e foi criado no âmbito do Seminário Permanente Mundos Indígenas - América no Centro de Humanidades (CHAM / NOVA FCSH—UAC), na Universidade Nova de Lisboa, Portugal entre os dias 27 a 28 de abril de 2015. O grupo de investigação do CHAM-UNL criou o COIMI, objetivando construir uma maior rede colaborativa em âmbitos nacional e internacional para as discussões interdisciplinares sobre a história dos povos indígenas da América. Para tanto, pretende-se ampliar diálogos entre investigadores indígenas e não indígenas da temática em destaque para que se possam construir possibilidades de novos caminhos teórico-metodológicos sobre a pesquisa acerca dos povos tradicionais do século XVI até o tempo presente e também divulgar as ações em prol da memória, patrimônio cultural, ambiental, história, educação e direitos indígenas de uma forma geral em âmbito internacional.

O II Congresso Internacional Mundos Indígenas - Diálogos sobre História, Direito e Educação Séculos XVI aos Dias Atuais foi executado em novembro de 2017 na Europa em dois países Espanha (Universidade Pablo Olavide, Sevilha) e Portugal (Centro de Humanidades – CHAM-UNL, Lisboa) com resultados extremamente profícuos e assertivos. Em 2018 na América Latina ocorreu no Brasil (Universidade Federal de Campina), Paraíba como apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, CNPq e da Universidade Estadual da Paraíba.

O III COIMI 2019 - EUROPA aconteceu em três países: França (Paris), Espanha (Sevilha) e Portugal (Lisboa). Esse congresso objetivou trazer discussões sobre pesquisas que vem se desenvolvendo na Europa e América e que constroem reflexões sobre as violações, conquistas e recrudescimento das lutas dos povos indígenas na América entre os séculos XVI aos dias atuais. No III COIMI 2021 - ONLINE revisitaremos a temática indígena não com os olhos no passado pelo passado, mas diante das demandas do tempo presente que passaram a ser também reivindicações dos próprios movimentos indígenas das últimas décadas, ou seja, a história, a memória, a educação, o reconhecimento das etnicidades, os territórios, o patrimônio e a natureza, enquanto direitos históricos e inalienáveis.


Acesse a página do evento


Mesa 11 - História Indígena no Brasil e a importância de John Manuel Monteiro no passado e no presente

Comentadora-debatedora:

Maria Regina Celestino de Almeida, UFF, Brasil

Palestrantes:

Edson Silva, UFPE/UFCG/UFRPE, Brasil

Isabelle Braz Peixoto da Silva, Universidade Federal do Ceará – UFC, Brasil

José Maurício P. A. Arruti, UNICAMP, Brasil

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

XXVIII Congresso PIBIC-Unicamp: Ocupação territorial indígena histórica e pré-histórica dos Submédio e Baixo São Francisco

  

XXVIII Congresso {virtual} de
Iniciação Científica da Unicamp (2020)




Ocupação territorial indígena histórica e pré-histórica dos Submédio e Baixo São Francisco: intersecções entre antropologia e arqueologia

Autor: Kaetê Spessotto Okano - Universidade Estadual de Campinas
Orientador: JOSE MAURICIO PAIVA ANDION ARRUTI - Universidade Estadual de Campinas

Em resumo, este trabalho tem como foco pesquisas arqueológicas no Nordeste que envolvam povos indígenas, sejam como (a) objetos de interesse direto ou indireto, (b) colaboradores, (c) ambos, (d) conflitantes com o contexto da pesquisa; explorando o conhecimento sobre as ocupações humanas pré-coloniais e sua relação com os territórios atualmente ocupados ou reivindicados pelos povos indígenas da região. Nosso interesse é de produzir uma síntese das informações arqueológicas, assim como uma exploração das características deste campo de investigação, destinados ao debate histórico, etnológico e político sobre a presença indígena histórica e pré-histórica na região. Por isso, o recorte geográfico escolhido se relaciona, de um lado, com os projetos de salvamento arqueológico das barragens instaladas no Rio São Francisco e, de outro lado, com as reivindicações territoriais dos atuais povos indígenas da região. Espera-se contribuir para o diálogo interdisciplinar com a elaboração de um material de referência para posteriores pesquisas nessas áreas.

Palavras-chave: Arqueologia, Etnologia, Vale do São Francisco
Instituição de fomento: PIBIC/CNPq
Unidade: IFCH
Área de estudo: Humanas





segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Educação escolar indígena e justiça socio-espacial no Brasil


Educação escolar indígena e justiça socio-espacial no Brasil: primeiros resultados de pesquisa / Flávia Vitor Longo; Antônio Augusto Rossotto Ioris; Roberto Luiz do Carmo; José Maurício Andion Arruti. – Campinas, SP: Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” / Unicamp, 2020. Disponível em: https://www.nepo.unicamp.br/publicacoes/textos_nepo/textos_nepo_90.pdf





RESUMO

A educação escolar indígena é, para além da instrução formal, um dos instrumentos na luta dos povos indígenas pela recuperação de suas terras ancestrais. A partir dessa premissa, a Universidade de Cardiff, em parceria com a Unicamp e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), elaborou um projeto com o objetivo de conhecer aspectos da educação básica indígena e sua relevância política na afirmação das identidades étnicas, especialmente na recuperação de terras indígenas. O projeto foi dividido em duas partes. A primeira, realizada na Unicamp, consiste em utilizar dados de fontes secundárias para retratar as condições da educação escolar indígena no Mato Grosso do Sul e em São Paulo. A segunda investiga, por meio de entrevistas semiestruturadas conduzidas por pesquisadores da UFGD, as circunstâncias de elevada violência e discriminação sofrida pelos Guarani-Kaiowá em sua luta pelo direito à terra. Este texto registra os principais achados referentes à primeira etapa da pesquisa.

Palavras chave: Educação escolar indígena. Indicadores. Censo Escolar



ABSTRACT

Indigenous school education is, in addition to formal instruction, one of the instruments in the struggle of indigenous peoples for the recovery of their ancestral lands. Based on this premise, the University of Cardiff in partnership with Unicamp and the Federal University of Grande Dourados (UFGD) developed a project with the objective of learning about aspects of indigenous basic education and its political relevance in the affirmation of ethnic identities, especially in the recovery of indigenous lands. The project was divided into two parts. The first, carried out at Unicamp, consists of using data from secondary sources to portray the conditions of indigenous school education in Mato Grosso do Sul and São Paulo. The second investigates, through semi-structured interviews conducted by researchers from UFGD, the circumstances of high violence and discrimination suffered by the Guarani-Kaiowá in their struggle for the right to land. This text records the main findings regarding the first stage of the research.

Keyword: Indigenous school education. Indicators. School Census.





O DESENVOLVIMENTO REGIONAL NO VALE DO RIBEIRA – SP. III Congresso de Projetos de Apoio à Permanência de Estudantes da Graduação - UNICAMP


III Congresso de Projetos de Apoio à Permanência de Estudantes da Graduação
SAE - Serviço de Apoio ao Estudante - UNICAMP


Projeto de Pesquisa
O DESENVOLVIMENTO REGIONAL NO VALE DO RIBEIRA – SP

Estudante: Jennifer Ribeiro da Silva
Orientador: José Maurício Arruti (IFCH-UNICAMP)



RESUMO
A região do Vale do Ribeira possui indicadores econômicos e sociais abaixo da média do estado de São Paulo, mas também é marcada por uma grande diversidade ecológica e cultural, concentrando o maior número de Unidades de Conservação e de comunidades remanescentes de quilombos do estado, além de comunidades caiçaras e indígenas. Desde a década de 1950, a região tem sido objeto de planos de desenvolvimento regional que, mais recentemente, também buscam contemplar os temas do meio ambiente e das comunidades tradicionais. Tais planos não foram, entretanto, capazes de tirar a região da situação de vulnerabilidade em que se encontrava e de promover medidas de bem-estar social para a população no geral. O estudo e mapeamento desses planos é fundamental para entender a atuação do estado frente à esta região e às comunidades tradicionais, além de inferir sobre o tipo de desenvolvimento que se pretende para aquele espaço. Sendo assim, o objetivo deste projeto é realizar a seleção, tabulação e análise de referências bibliográficas sobre o chamado “desenvolvimento regional” do Vale do Ribeira, com foco nas suas implicações sobre as comunidades tradicionais. Para isso, de agosto até o momento, a principal tarefa do projeto tem sido o levantamento de material para copilar informações acerca das políticas de desenvolvimento para a região realizadas no âmbito federal, estadual e municipal. Além disso, estão sendo levantados os projetos realizados pelos movimentos sociais e pelo setor privado ao longo do tempo. Esse mapeamento está sendo feito por meio de uma tabela, de modo a organizar e perceber a sobreposição (conflito, redundância ou sinergia) de tais planos e iniciativas dos três setores no tempo. A ideia é que a tabela e o levantamento das referências bibliográficas funcionem como um guia para que a comunidade em geral e do Vale do Ribeira possam acessar e conhecer melhor os planos de desenvolvimento que já foram e estão sendo realizados na região.

Palavras-chaves: Vale do Ribeira; desenvolvimento regional; comunidades tradicionais.
Modalidade Universitária: Pesquisa
Eixo Temático: Humanas
Tipo de Bolsa: Bolsa Auxílio-Social (BAS)

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Indígenas na universidade: um olhar comparativo sobre programas institucionais e vivências estudantis

Projeto Indígenas na universidade: um olhar comparativo sobre programas institucionais e vivências estudantis

Edital 03/2020, COMVEST/PRG/PRP “Pesquisas sobre ingresso, desenvolvimento e permanência na graduação”


Coordenador: prof. José Maurício Paiva Andion Arruti (IFCH/Unicamp)


RESUMO

Esta pesquisa tem por objetivo investigar os diversos efeitos produtivos que emergem dos conflitos de perspectiva instaurados pela entrada dos estudantes indígenas nas universidades. Neste sentido, tomamos a Universidade como uma “Zona de Contato”, isto é, um tipo de espaço social “onde culturas se encontram, chocam e lutam umas com as outras, muitas vezes em contexto de relação de poder altamente assimétricas, tais como o colonialismo, a escravidão, ou decorrentes delas" (Pratt, 1991: 34). Ao propor o conceito, Mary Louise Pratt acrescenta que o termo pode ser usado também e especificamente para “reconsiderar os modelos de comunidade nos quais muitos de nós confiamos para ensinar e teorizar e que está sendo desafiado hoje”. (idem) Neste sentido, a pesquisa pretende investigar os desafios postos à comunidade universitária pela entrada dos estudantes indígenas, assim como as respostas que vêm sendo dadas a eles, tanto por parte da universidade (gestão, docência e comunidade) quanto por parte dos jovens indígenas que nela ingressam, suas comunidades de origem e suas organizações político-intelectuais emergentes. Para isso, pesquisa pretende operar em diferentes contextos universitários e em diferentes escalas de definição desses desafios em cada um desses contextos.


JUSTIFICATIVA

Desde os anos 2000, e sobretudo a partir de 2012, com a Lei Federal 12.711/12, conhecida como “Lei de cotas”, as fortemente seletivas universidades públicas do país passaram a receber cada vez mais estudantes que tradicionalmente ficavam excluídos dessas instituições (Lloyd, 2016; Daflon, Feres Júnior e Campos, 2014). Se os programas de ação afirmativa destinados a estudantes de baixa renda, negros e pardos se realizam por meio de mecanismos de reservas de vagas ou de bonificação na pontuação do vestibular ou do ENEM , para possibilitar o acesso de estudantes indígenas, um número crescente de universidades organiza um processo seletivo distinto, exclusivamente direcionado a candidatos indígenas, tendo em vista as especificidades linguísticas e culturais desse público, já que muitos têm o português como segunda língua e frequentaram, no ensino básico, escolas indígenas diferenciadas (Paladino, 2012; Luciano, 2019; Souza Lima, 2016). 
 De acordo com a Sinopse Estatística da Educação Superior de 2018, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep, 2019), naquele ano estavam matriculados, em cursos presenciais e a distância de todo o país, um total de 15.450 indígenas em universidades públicas (municipais, estaduais e federais) e 42.256 em universidades privadas. Seguindo a experiência de outras universidades brasileiras, a Unicamp, que já contava desde 2004 com um sistema de bonificação no vestibular, aprovou em 2018 um programa mais amplo, onde coexistem mecanismos de bonificação, reserva de vagas (cotas) e um vestibular indígena (72 vagas foram abertas no primeiro ano e 96 no segundo). Diante da ampliação do acesso, é indispensável que, em um segundo momento do desenvolvimento das políticas de ações afirmativas, sejam realizadas pesquisas que ajudem a compreender os fatores que contribuem para a permanência e para o êxito acadêmico destes estudantes.
A maior parte das pesquisas sobre esta temática concentra-se na análise dos arranjos institucionais federais ou estaduais, sob a forma de estudos de caso de IES, o que resulta em uma série de retratos individualizados (Amado, 2016; Amaral et al. 2016; Dal’bo, 2010, 2018; Doebber, 2017; Jodas, 2012, 2019; Nascimento, 2016; Russo e Diniz, 2015; Ventura dos Santos, 2016; Vital, 2016). Fazem falta, entretanto, investimentos comparativos, tanto dos variados arranjos institucionais e dos dilemas enfrentados pelos gestores, quanto das experiências dos estudantes indígenas e das suas iniciativas de apropriação do espaço (físico e epistêmico) da universidade.


OBJETIVOS

A presente pesquisa busca lançar mão do acúmulo produzido por esses estudos de caso de duas formas: metodologicamente, como repertório de temas, problemas e objetos a partir do qual realizaremos o estudo de caso da própria UNICAMP; e teoricamente, como uma base de dados a partir da qual será possível uma análise comparada (em busca de correlações, padrões e lógicas) do conjunto disponível, assim como conjunto em relação ao qual situar a experiência da Unicamp.  Nossa estratégia de pesquisa implica uma postura comparativa desenvolvida em três escalas. No plano macro, nacional, mobilizaremos os dados oficiais do Censo da Educação Superior (CenSup) produzidos pelo INEP, investigando suas potencialidades, limites e padrões regionais. No plano meso, institucional, mobilizaremos os documentos disponibilizados por (e sobre) um conjunto selecionado de IES que adotaram mecanismos diferenciados para o acesso de estudantes indígenas, complementados por entrevistas com gestores destas IES. Finalmente, no plano micro, do trabalho de campo, mobilizaremos uma estratégia quali-quanti de abordagem da experiência dos estudantes indígenas da UNICAMP e de outras duas instituições paulistas (uma pública federal e outra privada estadual), por meio de um amplo survey e de um restrito conjunto de entrevistas aprofundadas. O jogo entre essas escalas (Revel, 1998) nos permitirá colocar sob o teste de diferentes configurações, o tema da Universidade como zona de contato (Clifford, 1997) ou espaço de mediação (Monteiro, 2006; Monteiro, Arruti e Pompa, 2011) entre diferentes formas de socialidade, de agenciamentos políticos e de matrizes epistemológicas.


PROJETOS PARCEIROS

A pesquisa está articulada a três projetos anteriores e independentes, mas que colaborarão de diferentes formas para a consecução dos objetivos aqui propostos. O projeto Fapesp "Estudantes indígenas na Unicamp e na UFSCar: experiências sob a lente da etnografia" (processo n. 2018/25259-0), o projeto CNPq “Fluxos indígenas entre sertão e metrópole: Estudo sobre território e população, cosmopolítica e mobilidade pankararu” (Produtividade em Pesquisa, processo n.309085/2017-9) e o projeto CARDIFF-UNICAMP 2020: “Indigenous School Education and Socio-Spatial Justice in Brazil”. 
O projeto CARDIFF-UNICAMP "Indigenous School Education and Socio-Spatial Justice in Brazil" aborda a educação primária em comunidades indígenas enquanto fenômeno de afirmação de identidade étnica, inclusão social e ferramenta de luta pelos direitos à terra e consiste em um estudo piloto nos estados brasileiros de São Paulo e Mato Grosso do Sul, que depois pretende ser expandido para a Amazônia e para o resto do país. O trabalho incluirá uma avaliação de todas as escolas indígenas nesses dois estados brasileiros por meio de dados secundários, para em seguida, focalizar as escolas Guarani-Kaiowa. O projeto conta com a colaboração da Faculdade Indígena Intercultural (FAIND / UFGD), além de professores e gerentes de escolas, famílias de estudantes, líderes comunitários indígenas e autoridades educacionais. Sua comunicação com o projeto apresentado está no compartilhamento de dados secundários sobre o fluxo entre escolas indígenas e IES com programas especiais para indígenas, assim como nos permite ter uma visão especialmente aprofundada de um dos estudos de caso que previmos, a UFGD. Além disso, como esta projeto também prevê a realização de entrevistas em profundidade em Mato Grosso, está prevista uma colaboração na produção dos roteiros dessas entrevistas e no compartilhamento dos seus resultados.
O projeto FAPESP "Estudantes indígenas na Unicamp e na UFSCar: experiências sob a lente da etnografia" tem por objetivo realizar um conjunto articulado de etnografias junto a estudantes indígenas inscritos em cursos regulares na Unicamp e na UFSCar, tendo em vista produzir subsídios para o desenvolvimento de ações que permitam uma inclusão bem sucedida de estudantes indígenas em universidades públicas, num momento em que esse desafio se impõe no cenário brasileiro. Neste sentido, o projeto funcionará como um observatório da situação dos estudantes indígenas, com uma equipe integralmente dedicada a apreender suas dificuldades, descobertas e desejos. Sua comunicação com o nosso projeto é bastante evidente, consistindo, de fato, em uma sobreposição parcial, como já exposto no próprio texto do projeto. Esta sobreposição ocorrerá no que tange às entrevistas de campo em duas universidades (UNICAMP E UFSCAR) e no compartilhamento de dados de pesquisa documental sobre outras quatro universidades.
O projeto CNPq "Fluxos indígenas entre sertão e metrópole: estudo sobre território e população, cosmopolítica e mobilidade pankararu" tem por objetivo investigar o fenômeno (de importância continental) da migração ou mobilidade indígena para as grandes cidades e as transformações cosmológicas, organizacionais e identitárias nele implicadas. Para isso, a pesquisa mobiliza uma metodologia mista, baseada na interdiciplinaridade entre Antropologia, História e a Demografia, articulando etnografia, história de vida/de famílias, assim como a realização de um censo demográfico participativo e um survey com universitários indígenas da PUCSP. Este último tópico está associado ao fato dos pankararu terem sido u grupo líder na conquista de um sistema de bolsas de estudos na PUCSP, conhecido como Programa Pindorama, que, desde 2001, tem recebido principalmente indígenas residentes em São Paulo. Sua comunicação com o nosso projeto diz respeito justamente à abordagem mais detida e comparada que estamos prevendo realizar sobre o Programa Pindorama como uma das 3 situações que serão colocadas em comparação desde um ponto de vista qualitativo.


EIXOS E OBJETIVOS ESPECÍFICOS


Eixo 1 - Dados oficiais: panorama nacional e configurações regionais

- Objetivo: Propor uma leitura sintética e contextualizada dos microdados e das Sinopses Estatísticas da Educação Superior em busca de distinguir características gerais da inserção indígena no ensino superior no Brasil, assim como configurações regionais. 
-Temas: Os dados disponíveis no CenSup estão organizados por temas e regiões (até a escala municipal) e fazem referência a instituições, recursos humanos, cursos de graduação presenciais ou a distância, processos seletivos, matrícula, concluintes. As variáveis relevantes serão selecionadas a partir da identificação de padrões de agregação que se mostrem pertinentes aos nossos objetivos. 
- Metodologia: A principal fonte de dados secundários mobilizada neste eixo é o de explorar as potencialidades e limites do CenSup (INEP) que, desde 1995, levanta informações sobre as Instituições de Ensino Superior (IES) de todo o país, os cursos ofertados por elas, e características de seus docentes e discentes. No bloco de perguntas referente aos estudantes, as variáveis permitem conhecer atributos como idade e raça/cor, bem como a forma de ingresso no curso e o tipo de instituição em que estão matriculados. Ainda, a comparação entre os censos de diferentes anos nos permite inferir tendências nas configurações destas IES e de seus respectivos estudantes. Avalia-se a utilização de outras fontes secundárias, tais como o Censo Escolar (INEP), anual, e o Censo Demográfico, de periodicidade decenal e levantado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para elaboração e proposição de um amplo painel sobre as diferentes configurações, nacional e regionais, da presença indígena nas universidades. Este panorama funciona, em nossa estratégia de pesquisa, como matriz de controle das comparações que serão propostas nos eixos seguintes. Neste tópico destaca-se a contribuição metodológica do projeto CARDIFF-UNICAMP 2020: “Indigenous School Education and Socio-Spatial Justice in Brazil”.
- Escopo: Nacional


 Eixo 2 - IES: comparação dos desenhos institucionais

- Objetivo: Produzir um banco de informações detalhadas sobre os programas de estímulo ao acesso e à permanência de indígenas de um grupo de 10 universidades, selecionadas segundo critérios de diversidade e importância dos programas.
- Temas: histórico de cada iniciativa; características gerais do público atendido (diversidade regional, étnica, de gênero, etária, cursos mais concorridos...); iniciativas de adaptação administrativas, espaciais, curriculares; efeitos não previstos em cada IES.
- Metodologia: consulta a documentos e sites institucionais, bibliografia acadêmica e entrevistas com gestores das universidades selecionadas. Vale notar que em muitas universidades as políticas direcionadas a indígenas têm uma história e um desenvolvimento inseparáveis daquelas destinadas a pretos, pardos e a estudantes de baixa renda. A pesquisa estará em diálogo (e também produzirá dados), portanto, sobre esse universo mais amplo de políticas de ação afirmativa em cada universidade. 
- Escopo: Considerando que no âmbito do projeto Fapesp acima mencionado serão produzidos dados sobre os temas acima descritos referentes à Unicamp, UFSCar, UFAM, UFRGS, UFGD e UFMG, selecionamos 4 outras universidades: a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Teremos, assim, um quadro descritivo dos programas de incentivo ao acesso e à permanência de indígenas em 10 universidades, além da Unicamp. As universidades foram eleitas levando em conta sua experiência com vestibular indígena, a diversidade regional das instituições, as redes de contato e apoio de pesquisadores. Neste tópico destaca-se a contribuição metodológica do projeto Fapesp "Estudantes indígenas na Unicamp e na UFSCar: experiências sob a lente da etnografia"


Eixo 3 - Estudantes: perfil, experiência, perspectivas 

- Objetivo: Analisar trajetória, experiências e percepções de indígenas no Ensino Superior, matriculados e egressos de  três universidades paulistas: Unicamp, PUC-SP e UFSCar.
- Metodologia: aplicação de survey a uma amostragem do total dos estudantes indígenas matriculados e dos egressos de cada universidade selecionada . Os temas a serem explorados e as perguntas que virão a constituir o survey serão elaborados a partir das análises preliminares dos eixos 1 e 2, e discutidos com pesquisadores convidados (destacadamente envolvidos com a questão na Unicamp) e estudantes indígenas convidados (destacadamente da Unicamp). Após a realização do Survey, será definido um conjunto menor de estudantes a serem entrevistados em profundidade, o que deve ser definido em função da eleição de temas e perfis revelados por meio do Survey e da consulta junto aos Pesquisadores Consultores. 
- Temas: experiências prévias à entrada na universidade; opção individual e/ou projeto coletivo (do povo/aldeia); expectativas e experiências sobre a relação entre formas/ tradições de conhecimento (científico e étnico); produção de espaços/territórios indígenas na universidade; formas de solidariedade e associação entre "parentes" na universidade; principais dificuldades de adaptação; inserção em pesquisas acadêmicas; principais aprendizagens e experiências positivas; relação com outros alunos/professores indígenas e não-indígenas; uso e avaliação das formas de apoio das IES; perspectivas pós-universidade.
- Escopo: estudantes indígenas matriculados e egressos da Unicamp, UFSCar e PUC-SP  que aceitarem participar da pesquisa. O número e perfil dos estudantes a serem abordados pelo Survey em cada IES devem ser orientados pela representatividade de gênero, etnia e curso do universo de alunos indígenas de cada universidade. O número e perfil dos estudantes a serem entrevistados (após a realização do survey) será determinado pela leitura oferecida pelo survey, com relação às questões qualitativas. Além da Unicamp, selecionamos a PUC-SP, pois esta universidade possui o pioneiro Projeto Pindorama, que assegura bolsas para indígenas residentes em São Paulo que ingressam na universidade desde 2001. A UFSCar foi selecionada por ser uma referência na realização de vestibulares indígenas, que ocorrem desde 2008. Foi também a primeira universidade a sediar o Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas (ENEI) e manteve diálogo com a Unicamp durante todo o processo de implementação da política nesta universidade. Neste tópico destaca-se a contribuição metodológica do  projeto Fapesp (citado) e do projeto CNPq “Fluxos indígenas entre sertão e metrópole: Estudo sobre território e população, cosmopolítica e mobilidade pankararu”.


EQUIPE

Pesquisadoras:
  • Juliana Jodas - doutora em Ciências Sociais, IFCH, pesquisadora colaboradora;
  • Flávia Longo - doutora em Demografia, IFCH, pesquisadora colaboradora;
  • Fávia Guimarães - doutoranda em Antropologia, IFCH, pesquisadora colaboradora;
Bolsistas:
  • Rafael Rocha Novais - graduação em Ciências Sociais, IFCH, ingresso por cota, bolsa PIBIC;
  • Marcela Torres Nonato - graduação em Ciências Sociais, IFCH, ingresso pelo vestibular indígena, bolsa PIBIC;

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Vídeo "Escola Pankararu - viagem por um território da educação diferenciada" selecionado para o XIII Prêmio Pierre Verger de Filme Etnográfico




Escola Pankararu: Viagem por um território da educação diferenciada. 
Direção de José Maurício Arruti e Raphael Malta Clasen. Recife/PE/Brasil, 25':15''. UNICAMP / CNPq / Verthic, 2018.
Sinopse: Em 2015, o território Pankararu contava com 20 escolas, um Museu Escola, aproximadamente 200 professores indígenas e 3.000 alunos. O filme, realizado durante intercâmbio entre professores indígenas do Médio Xingu e os Pankararu, traz depoimentos e entrevistas sobre o processo de contrução do projeto de Escola diferenciada Pankararu, suas motivações, conquistas e entraves e desafios.
Links para o filme:


- Versão legendada em português: 

- Verão legendada em inglês: https://vimeo.com/464703570 (VIMEO) e https://youtu.be/WsKmlCrnEn4 (YOUTUBE)


Pankararu School: Travel through a territory of indigenous education. Directed by José Maurício Arruti and Raphael Malta Clasen. Recife / PE / Brasil, 25 ': 15' '. UNICAMP / CNPq / Verthic, 2018.
Synopsis: In 2015, the Pankararu territory had 20 schools, a School Museum, approximately 200 indigenous teachers and 3.000 students. The film, made during an exchange between indigenous teachers from the Middle Xingu and the Pankararu, features testimonies and interviews about the construction process of the Pankararu Indian School project, its motivations, achievements and obstacles and challenges.
Link to the film subtitled in English: https://vimeo.com/464703570 (VIMEO)  e https://youtu.be/WsKmlCrnEn4 (YOUTUBE)