segunda-feira, 6 de julho de 2020

Antropologia e Pandemia #3: Biopolítica, necropolítica e racismo



Neste episódio, Bernardo Fonseca Machado, Gustavo Rossi, Isadora Lins França, José Maurício Arruti e Taniele Rui discutem biopolítica, necropolítica e racismo no contexto da COVID-19 no Brasil. Antropologia e Pandemia é um projeto de prfoessores do Departamento de Antropologia do IFCH/Unicamp com o objetivo de produzir conteúdo digital para suas turmas da graduação em Ciências Sociais e ao mesmo tempo apresentar uma contribuição desde a perspectiva antropológica para a compreensão de um mundo em crise. Edição de áudio: Ana Lívia de Oliveira.

Música: Lamentos. Orquestra Típica Pixinguinha-Donga. 1928.

terça-feira, 30 de junho de 2020

Pesquisa e produção de conhecimento sobre quilombos

Pesquisa e produção de conhecimento sobre quilombos: entrevista com José Maurício Arruti

  • Benedito EugenioUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia
  • Wesley Santos de MatosSecretaria da Educação do Estado da Bahia

RESUMO

A pesquisa sobre quilombos tem se ampliado consideravelmente nos últimos anos, incorporando diferentes referenciais teóricos.  Dentre os pesquisadores que têm contribuído para a renovação dos estudos sobre comunidades quilombolas está José Maurício Arruti, doutor em Antropologia Social (UFRJ) e professor da Universidade Estadual de Campinas. O professor Arruti pesquisa comunidades quilombolas e povos indígenas, em especial sobre os temas Políticas de Reconhecimento, Território, Memória e Educação. Apresentamos, a seguir, a entrevista por ele concedida, em que discute aspectos de sua trajetória de formação, a produção de conhecimentos sobre comunidades quilombolas, a inserção na pesquisa sobre a temática, as principais dificuldades enfrentadas por essas comunidades no atual contexto de perda gradativa de direitos. Finalizamos a entrevista com o professor Arruti nos apontando sobre seus atuais interesses de ensino e pesquisa.


EUGENIO, Benedito; MATOS, Wesley Santos de. Pesquisa e produção de conhecimento sobre quilombos: entrevista com José Maurício Arruti. ODEERE, [S.l.], v. 5, n. 9, p. 23-48, jun. 2020. ISSN 2525-4715. Disponível em: <http://periodicos2.uesb.b
r/index.php/odeere/article/view/6881>. Acesso em: 24 jul. 2020. doi: https://doi.org/10.22481/odeere.v5i9.6881.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Questão racial (Jornal NEXO-Políticas Públicas / Afro-CEBRAP)

 


Acesso em: https://pp.nexojornal.com.br/glossario/Quest%C3%A3o-racial

A questão racial no Brasil, em 5 pontos (Jornal NEXO-Políticas Públicas / Afro-CEBRAP)

 


O racismo pode ser entendido como uma estratégia de determinados grupos na disputa por recursos e, de fato, no Brasil, tem definido ganhadores e perdedores em quase todos os campos da vida social. Para entender como esse fenômeno se reproduz, explicamos aqui a persistência do uso da raça — não mais como característica biológica, mas como persistência política —, sua relação com a cor da pele e com a ideia de etnia, além do uso dessas categorias pelo censo e a sua importância política. Tratamos do racismo como ideologia e como prática, das características específicas do racismo à brasileira e dos possíveis deslocamentos que a aparição de grupos de extrema direita provoca nesse cenário.


Link para matéria: https://pp.nexojornal.com.br/perguntas-que-a-ciencia-ja-respondeu/2020/A-quest%C3%A3o-racial-no-Brasil-em-5-pontos

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terça-feira, 10 de março de 2020

Projeto Quilombos (Afro-CEBRAP / LaPPA-CERES)

Projeto Quilombos:
memorias, configações regionais e os desafios da desdemocratização brasileira

A existência de comunidades quilombolas no Brasil contemporâneo foi reconhecida muito recentemente. Elas se tornaram sujeitos de direito apenas como a Constituição de 1988, e as políticas públicas destinadas elas começaram a ser elaboradas apenas a partir de 2003, ainda assim, sobre frequente contestação, descontinuidades e graves ameaças. As ações de regularização fundiária dos territórios quilombolas, iniciadas no governo Lula, foram fragilizadas ainda no governo Dilma, interrompidas no governo Temer e estão sob o risco da total destruição no governo Bolsonaro. O atual presidente é prolífico em manifestações racistas e em promessas públicas de denegação dos direitos quilombolas. Enquanto isso, a imprensa mantém um quase total desinteresse pela temática, decorrendo tanto quanto alimentando a desinformação da sociedade em geral. Diante deste quadro, são necessárias ações que tenham em vista a produção de informação qualificada a partir do contato direto com as comunidades, os movimentos quilombolas, seus apoiadores e estudiosos. Tanto quanto é necessária uma ação informada e informativa frente à opinião pública, ao legislativo, ao judiciário e às instâncias que nos restam do executivo. O presente projeto tem dois objetivos que pretendem contribuir para isso. Fazer registro, monitoramento e análise tanto das políticas públicas destinadas às comunidades quilombolas, quanto das violências movidas contra elas e suas respostas coletivas. Contribuir para a construção e veiculação da memória do movimento quilombola nacional, por meio da formação de um banco de entrevistas com suas principais lideranças.

Objetivo Geral

Criar no interior do Núcleo Afro do CEBRAP, em parceria com Laboratório de Pesquisa e Extensão com Povos Tradicionais Afro-americanos (LaPPA) do IFCH/ Unicamp, um grupo de referência na temática quilombola, capaz de desenvolver pesquisas, oferecer assessoria e criar estratégias de comunicação que tenham por foco a defesa dos direitos quilombolas.

Panorama Quilombola

Fazer registro sistemático, analisar e divulgar denúncias de violências contra as comunidades quilombolas e seus membros, assim como monitorar e avaliar as políticas públicas a eles destinadas, tendo em vista o atual contexto de desmonte das iniciativas federais e a busca de alternativas para a defesa dos direitos dessas comunidades em outros âmbitos do Estado, da sociedade civil e dos movimentos sociais.
 

A Juventude da Tradição

Fazer registro sistemático da experiência individual e do percurso sociológico de “lideranças quilombolas”, em sentido ampliado, ou seja, relativo tanto aos primeiros militantes responsáveis pela articulação e organização das comunidades quilombolas nos seus estados e em um movimento nacional, mas também relativo aos jovens quilombolas que, lançando mão das conquistas recentes do movimento, atuam como professores e gestores de escolas quilombolas, o que frequentemente os coloca também na posição de primeira geração de universitários em suas famílias e comunidades.

Equipe

Coordenação:
  • José Maurício Arruti (UNICAMP)
Assistente:
  • Cinthia Marques Santos (UNICAMP, doutoranda)
Colaboradores:
  • Thaisa Held (UFGD, docente), 
  • Mariana Balem (UFRB, docente), 
  • Cassius Cruz (doutor pela UNICAMP), 
  • Pedro Sebastian (UNICAMP, graduando)
  • Alexander Lucas Pereira (UNICAMP, graduando)


Mesa 'Territórios', do evento de lançamento do Núcleo Afro CEBRAP (4 de novembro de 2019) com Mathilde Ribeiro (ex-ministra da SEPPIR), Selma Dealdina (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), José Mauricio Arruti (UNICAMP/AFRO-CEBRAP) e Matheus Gato de Jesus (UNICAMP/AFRO-CEBRAP)

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Disciplina TEORIAS E EXPERIMENTAÇÕES ETNOGRÁFICAS (HZ360): LABORATÓRIO Etnografia em tempos de Pandemia

Disciplina
TEORIAS E EXPERIMENTAÇÕES ETNOGRÁFICAS (HZ360): LABORATÓRIO Etnografia em tempos de Pandemia

Prof. José Maurício Arruti
Monitores: Juliana Fidelis, Lais Marachini, Laura Andrade, Gustavo Gonçalves.

Contextualizando

O período de isolamento imposto pela pandemia de Covid19 implicou drásticas alterações no planejamento do nosso curso, como decorrência das drásticas alterações impostas às nossas vidas em geral. A singularidade da situação está nela ser compartilhada quase simultaneamente por metade dos habitantes do planeta. Um fenômeno inédito por suas dimensões e prováveis efeitos, que têm levado muitos a se perguntarem sobre quão profundas e duradouras serão as marcas dessas alterações em nossas vidas depois de encerrado o isolamento. Uma das dúvidas amplamente compartilhada é mesmo se o isolamento terá fim, ou se retornaremos à normalidade anterior a ele. Ao se discutir o pós-isolamente discute- se também o que seria este “novo normal”.

Há os que falem da perpetuação de vários dos efeitos que nos foram impostos como temporários, isto é, a normalização do fechamento das fronteiras nacionais, do distanciamento social, da precarização do trabalho via home office, do controle digital que alguns estados estão impondo às suas populações etc. Assim como há os que falem das oportunidades que este momento nos abre, ao eliminar a terceirização das nossas crianças e velhos, ao estancar o consumismo e impor uma paralisia ao movimento do capital que nenhum movimento social havia conseguido, ao nos permitir refletir sobre os impactos das alterações ambientais sobre o mundo etc.

Enfim, talvez não estejamos diante apenas de um fenômeno social, mas de uma nova instituição social. De uma forma ou de outra, cabe-nos como cientistas sociais ou, mais especificamente, como antropólogos, pensar estas novas formas de vida, de socialidade, de trabalho, de comunicação, de ritualização do cotidiano ou de alteração dos rituais tradicionais (como , por exemplo, os enterros, o esporte, as visitas familiares...) diante do fenômeno do isolamento e da extensão (colonização?) do mundo virtual (on-line) sobre o mundo presencial. O que isso está produzindo, quanto disso é transitório e quanto disso passará a constituir o nosso “novo normal”?

A proposta

Por mais que essas questões sejam angustiantes (ou justo por isso), elas também são boas para pensar. Assim, surge a proposta de convertermos os limites que foram impostos a este curso em matéria de reflexão do próprio curso, justamente abrindo um laboratório dedicado ao exercício do registro etnográfico sobre o que vem a ser a vida social sob o isolamento social.

Não estamos sendo originais nesta proposição. O volume de produção em ciências sociais sobre os efeitos da pandemia e do isolamento tem crescido a cada dia. Textos mais ou menos rápidos, mais ou menos confessionais, mais ou menos analíticos, mais ou menos etnográficos, têm se multiplicado na internet, muitos deles respaldados pelo selo de renomadas associações e instituições de pesquisa. Há até algumas iniciativas de registro das experiências pessoais diante desta situação, seja na forma de questionários sócio-epidemiológicos, seja na forma de repositório de depoimentos escritos ou de depoimentos gravados, a serem disponibilizados para os historiadores futuros. O projeto “Antropologia e Pandemia”, que realizamos em parceria com os professores Isadora França, Tanieli Rui (professores do Departamento de Antropologia), Gustavo Rossi e Bernardo Machado (pesquisadores pós-doc do PPGAS) tem por objetivo fazer um breve mapeamento desta produção. O primeiro episódio, já disponível, faz um apanhado geral de algumas dessas iniciativas. Os quatro próximos episódios programados pretendem falar sobre como alguns temas emergem nesta produção: A etnografia da pandemia; Pandemia, desigualdades e relações raciais; Pandemia, violência e gênero; e, finalmente, Pandemia e fins do mundo.

Enquanto lemos a bibliografia básica sobre etnografia e acompanhamos as reflexões oferecidas pelo projeto Antropologia e Pandemia, o nosso laboratório deve estimular a produção e discussão das nossas próprias etnografias sobre e neste isolamento social. Acrescentaremos ainda a este conjunto, a discussão sobre dois conceitos possivelmente úteis neste contexto: auto-etnografia e etnografia on-line.

Metodologia

O curso passará a contar com três tipos de atividades, desenvolvidas de forma articulada, em aulas alternadas.

  • Aulas expositivas e discussão bibliográfica: dando continuidade às 3 aulas iniciais, leremos etnografias (ou comentários a elas) sobre temas afins à nossa condição atual de pandemia e isolamento social;

  • Resenhas da produção recente em Ciências Sociais sobre a Pandemia: debateremos os episódios do projeto “Antropologia e Pandemia” e textos dos alunos inspirados nesses episódios. Neste caso, a tarefa dos alunos é realizar uma resenha que busque destacar nos artigos selecionados (de três a seis) suas qualidades etnográficas: a) de conteúdo: quando os artigos contribuem na construção de uma leitura etnográfica de um determinado assunto de interesse

(país, região, tema, instituição, recorte social etc.); ou b) de forma: quando os artigos podem oferecer bons exemplos de como elaborar uma perspectiva etnográfica mesmo em situação de isolamento.

Produção de relatos: discutiremos breves ensaios dos próprios alunos inspirados na ideia de ‘etnografia da pandemia’. Neste caso, os alunos devem escolher uma data (dentre as disponibilizadas) para apresentar seus relatos preliminares (que devem ter entre 60 e 90 linhas), enviando-os para o e-mail do professor e dos monitores com uma semana de antecedência, de forma que ele possa ser socializado com a turma. Os relatos deverão ser lidos em aula, abrindo-se para o seu debate logo em seguida. Com base nas contribuições trazidas por esses debates, os alunos deverão apresentar a versão final dos seus relatos (textos de 90 a 180 linhas) até o encerramento do semestre.

Avaliação

A avaliação neste semestre, conforme orientação geral adotada pelo IFCH, consistirá na atribuição de um conceito único S (suficiente) para todos os alunos que participarem da disciplina, restando a opção de conceito F (falta) para os alunos que não participarem. A participação será caracterizada pela realização de parte das atividades previstas acima: pelo menos duas Resenhas da produção recente em Ciências Sociais sobre a Pandemia e as duas Produções de relatos individuais (preliminar e final). O conceito F pode ser substituído pelo conceito S até o final do semestre seguinte, mediante a entrega das atividades descritas, acompanhadas de justificativa. No caso de não ser possível caracterizar participação no prazo previsto, o conceito atribuído será I (insuficiente), o que significa reprovação na disciplina.

Peço atenção ao PARECER DA CONGREGAÇÃO No 169/2020, postado no mural da turma (em especial os itens de 4 a 7), que orienta docentes e discente com relação aos procedimentos no caso de dificuldade ou impossibilidade de participação na disciplina.